A história do Brasil contada pelo futebol

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O Museu do Futebol é um museu da história do Brasil. Uma história que tornou o futebol uma das mais reconhecidas manifestações culturais do país. O povo brasileiro se apropriou do futebol, apaixonadamente, mesmo com grandes decepções dentro das quatro linhas.
No museu podemos entender como o futebol, um esporte inglês, de elite e branco aos poucos ganhou novos traços: tornou-se brasileiro, popular, miscigenado e virou um espelho da nossa cultura.

Ocupando uma área de 6.900m² no avesso das arquibancadas do Estádio Paulo Machado de Carvalho, mais conhecido como Pacaembu, o Museu do Futebol é dividido em três eixos que norteiam a visitação: emoção, história e diversão. Através desses três itens a intenção é mostrar o que Leônidas da Silva tem a ver com Villa-Lobos, Jorge Amado e Candido Portinari. E até mesmo cmo a trágica derrota de 50 ajudou o Brasil a reiventar o seu futebol e ser o maior campeão do mundo.

Visitar o Museu do Futebol é percorrer a história brasileira no século XX e perceber como nosso costumes e comportamentos ilustram esta narrativa. O futebol ajudou a formar a identidade brasileira, assim como a cultura brasileira ajudou a transformar o futebol.

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Os três eixos do museu:

EMOÇÃO

Esse eixo trata do futebol a partir da emoção que ele desperta nas pessoas, ele é dividido em seis ambientes que se complementam.

Grande Área: nesse grande hall de entrada o visitante se depara com a primeira instalação artística do museu. Idealizado por Daniela Thomaze e Felipe Tassara, o espaço traz um grande painel fotográfico, que reúne imagens ampliadas dos mais variados objetos. São canecas, flâmulas, chaveiros, etc.

Pé na Bola: são imagens que mostram como o futebol nasce em todos os lugares, todos os dias, em todos os terrenos, com todos os tipos de calçado. Telas em sequencia mostram imagens de crianças chutando bolas em campos de várzea e areia, com bolas improvisadas de meias, barbante, plástico. As imagens da bola nas telas formam um seta que indica a entrada para o visitante.

Sala dos Anjos Barrocos: na entrada, imagens de 25 craques brasileiros de todos os tempos, entre eles Pelé, Nilton Santos, Garrincha, Didi, Romário, Sócrates e Rivelino são exibidas em tamanho natural. Como essas imagens são projetadas em telas transparentes que estão suspensas no ar, tem-se a ilusão de que os jogadores estão flutuando diante dos olhos.

Sala dos Gols: personalidades narram gols que marcaram suas vidas, a história do país e a história do futebol. Nas telas são exibidos depoimentos de Armando Nogueira, Juca Kfouri, Arnaldo César Coelho e Ruy Castro, entre outras personalidades.

Sala dos Rádios: no Brasil, o rádio nasceu com o futebol. E quando não há imagens, são os grandes narradores que tornam gols inesquecíveis no imaginário das pessoas. Nessa sala é possível ouvir narrações consagradas feitas por Ary Barrozo, Fiori Gigliotti, Jorge Cury e Osmar Santos.

Sala da Exaltação: talvez a mais mística e encantadora de todas. Uma sala escura é invadida pela vibração, pelo colorido e pela criatividade das torcidas. Com o som ensurdecedor de hinos, gritos e canções, o visitante termina a primeira parte do percuso experimentando toda a euforia existente nos momentos de uma partida. Em um grande vão livre, na passagem do primeiro para o segundo andar, são projetadas – entre vigas e pilares de sustentação da arquibancada – imagens de exaltação ao futebol, fazendo renascer a emoção dos torcedores. Impossível não se arrepiar.

HISTÓRIA

Depois de vivenciar toda a emoção que envolve o futebol, a narrativa do eixo história conta a origem e a evolução do esporte e acompanha a história do próprio país.

Sala das Origens: o espaço lembra um museu tradicional, com 431 fotos raras emolduradas e um vídeo que contam a história do futebol e do país. Presta-se ainda uma justa homenagem ao ídolo: Friedenreich, filho de mãe brasileira negra e pai alemão branco, com papel importante na disseminação do esporte no Brasil.

Sala dos Heróis: é possível ver imagens de pessoas que ajudaram a construir a identidade brasileira. Villa-Lobos, Carlos Drumond de Andrade, Oscar Niemeyer, Noel Rosa, Cândido Portinari e Jorge Amado estão lado a lado de Leônidas da Silva e Domingos da Guia, mostrando como os ídolos do velho esporte bretão começariam a ganhar importância no cenário nacional.

Rito de Passagem, a Copa de 50: dentro de um túnel fechado, ouve-se um texto narrado por Arnaldo Antunes, que descreve os momentos que precederam a final da Copa de 1950. Em seguida, após o fim do jogo, as imagens continuam passando, porém o silêncio dentro da sala é total, experimentando-se o mesmo silêncio que “calou” o país naquele momento.

Salas das Copas do Mundo: a derrota na Copa de 50 para o Uruguai foi uma trágédia que serviu de lição para o Brasil, que, junto com seu futebol se reiventou, dando início a um grande período de triunfos (que o vexame para a Alemnaha em 2014 sirva para que aconteça o mesmo). Nesta sala é possível ver a evolução do país e da seleção brasileira. São vídeos que mostram como futebol acompanha a evolução da cultura e dos costumes da sociedade.

Experiência Pelé e Garrincha: são filmes que mostram a genialidade desses craques. A sala exibe filmes de cinco em cinco minutos cada, que mostram a atuação deles em campo. Vale destacar que os dois ídolos nunca perderam uma partida atuando juntos.

DIVERSÃO

Depois de passar pela emoção e pela história é a hora de se divertir e terminar a visita sorrindo. O visitanate entra no terceiro eixo do museu, onde a diversão toma conta. Em destaque, o futebol como jogo, como brincadeira, como rivalidades entre torcidas.
Sala dos Números e Curiosidades: placas seguem a linguagem de um grande almanaque, propondo um trajeto de números, táticas, datas, histórias e superstições. No mesmo espaço, três mesas de pebolim, com bonecos posicionados em diversos esquemas táticos, divertem o público.

Sala da Dança do Futebol: dentro de bolas de futebol gigantes, convidados especiais narram crônicas literárias de temas ligados ao esportes: Marcelo Duarte fala sobre o “drible”; Celso Unzelte, sobre o “gol”; João Máximo, sobre o “goleiro”; e Juca Kfouri, sobre o passado e o presente do futebol por meio de imagens do Canal 100.

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Jogo de Corpo: de volta ao primeiro andar, o visitante é apresentado a várias atividades interativas, com destaque para um filme 3D no qual um famoso jogador é protagonista. O filme mostra como o corpo do atleta se comporta durante uma partida. Nessa sala ainda é possível que o visitante teste a potência do seu chute; assista a jogadas em câmera lenta; simule a cobrança de um pênalti; brinque com jogos e encontre dados de seu time em um hall com painéis com os 128 times que já participaram, ao menos uma vez, do campeonato brasileiro.

Sala Pacaembu: última parada do percurso, este é o espaço dedicado ao Estádio do Pacaembu. A proposta é celebrar o patrimônio histórico e explicar a história de um dos estádios mais antigos do país.

Danilo Georgete

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