“Uma responsabilidade tremenda para o nosso país”, diz Fabí sobre a Olimpíada do Rio

Durante 13 anos ela foi o pulmão do time, símbolo de garra e amor à camisa da seleção brasileira de vôlei. Dona de vários títulos, dentre os mais importantes o bicampeonato olímpico (2008 e 2012), Fabiana de Oliveira, mais conhecida como Fabí, decidiu em 2014, aos 34 anos se aposentar da seleção. Atualmente a atleta joga pela equipe do Rio de Janeiro, atual campeão da Superliga feminina de vôlei.

No último domingo (2), Fabí esteve presente nas finais da Taça Paraná de Voleibol e falou com exclusividade ao Conexão News. A eterna líbero da seleção brasileira falou sobre a aposentadoria, os técnicos Zé Roberto Guimarães e Bernardinho e o que acha do futuro do voleibol nacional. Confira abaixo a entrevista com a melhor líbero brasileira de todos os tempos.

Fabí, foram 13 anos de seleção brasileira, já se acostumou em estar do lado de fora?

É difícil, sempre complicado estar de fora, mas como foi uma decisão bem pensada, lúcida, eu sinto mais saudade do que tristeza. Saudade das meninas, da convivência, dos momentos que vivemos juntos todos esses anos, mas observo só com saudade mesmo. É inegável a vontade de estar com as meninas, de vestir a camisa do Brasil, mas foi o momento certo de parar.

A Camila Brait ficou com o seu lugar na seleção, o que você acha da sua substituta?

Eu estou muito orgulhosa de quem deixei no meu lugar na seleção brasileira,a camila está muito bem preparada para assumir essa posição. Ver que ela estava pronta para me substituir facilitou com que eu tomasse a decisão de encerrar meu ciclo na seleção.

Agora aposentada da seleção quais os seus planos?

Aproveitar a vida agora um pouquinho mais fora das quadras, as férias que eu nunca tive enquanto estive na seleção. Agora posso descansar, passear, aproveitar um pouco mais a família.

Em 2016 os Jogos Olímpicos serão na cidade que você nasceu e mora até hoje, já imagina como vai se sentir assistindo da arquibancada sem brigar por um lugar no pódio?

A Olimpíada vai ser no quintal de casa, eu vou estar lá comentando (Fabí é contratada da Rede Globo), mas vou estar de alguma forma. Estarei com 36 para 37 anos, foram 13 anos de seleção brasileira, óbvio que pesou na hora de decidir se me aposentava da seleção a possibilidade de disputar um Jogos Olímpicos em casa, mas o corpo não é mais o mesmo, algumas coisas não são mais como a gente gostaria. Adoraria ter a chance de disputar mais uma medalha, mas a decisão foi a certa. Eu gostaria de tomado essa decisão depois dos Jogos de Londres, mas o Zé Roberto pediu para eu ficar um pouco mais, quis minha ajuda e protelei um pouco a despedida.

Fabí, você foi treinada pelo José Roberto Guimarães na seleção e seu técnico no Rio de Janeiro é o Bernardinho. Os dois são os maiores técnicos de voleibol do Brasil e do mundo, qual a diferença de um para o outro?

Na verdade a diferença entre os dois eu sempre brinco que um é carioca e o outro é paulista (risos). De resto é tudo igual. Eles têm temperamentos distintos, né. Um é mais comedido o outro mais nervoso, emotivo, o Bernardo no caso. O Zé Roberto é bem mais tranquilo. Mas a exigência é a mesma. Sempre foi um privilégio poder conviver com esses dois monstros e aprender com eles.

O voleibol brasileiro está com o futuro garantido? O que é necessário para fortalecer cada vez mais o esporte?

Uma das minhas grandes preocupações como atleta e jogadora da seleção brasileira foi a continuidade. Não é importante só a minha geração vencer, é necessário as outras gerações continuarem forte, existir um apoio e uma estrutura na base, para que os jovens atletas continuem contribuindo para a evolução do voleibol. Eu vejo um momento muito positivo no cenário nacional, estamos a pouco menos de dois anos para sediar um evento importantíssimo que é a Olimpíada.Espero que até lá o voleibol e outros esportes possa estar atraindo mais patrocínios afim de fortalecer cada vez mais a Superliga, que exista essa fomentação do voleibol brasileiro, pois é muito necessário para a continuidade do trabalho. O grande sucesso do voleibol é isso, continuar ganhando, não subimos uma vez no pódio só, temos uma regularidade.

O que você espera da Olimpíada no Rio de Janeiro? Pode gerar legados no esporte nacional?

Encaro isso como uma responsabilidade tremenda para o nosso país. É a grande chance de atrair patrocínios e estruturar o esporte olímpico brasileiro.Estamos em um caminho de boas esperanças para o futuro.

Danilo Georgete / Guilherme Dias

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