Acabou o amor

É o fim, ou quase isso. Já não existe mais aquele romance, bem querer, amor infinito. O até que a morte nos separe pode ter sido antecipado por um 7 a 1, ou pela falta de amor à camisa. Cadê o romance? Aqueles olhinhos brilhando, o sentimento de morte com a derrota e a alegria extrema ao gritar um gol?

Posso estar sendo rude, falando apenas com meu olhar crítico, mas pra mim acabou. Não existe mais o amor dentro do tapete verde. Nossos craques não desfilam mais, hoje eles brigam, maltratam a pelota. Que saudades daquele tempo romanceado, em que tudo acontecia dentro de uma peleja, atualmente é só interesse.

É briga de cá, bombas de efeito moral de lá. E nisso tudo o charme se perde. Sorte de Nelson Rodrigues que não está vivo para ver isso tudo, pois nos dias atuais não encontraria as granfinas com narinas de cadáver nos estádios (digo arenas).

Já perceberam o quanto as “arenas” elitizaram o futebol nacional? Cadê o povo, a alegria? É inevitável dizer que a torcida ainda faz uma bonita festa, mas sejamos sinceros, não é como antes. Que torcedor consegue se apaixonar sem saber a escalação completa de seu time? Me digam amigos, quem sabe a escalação completa do time de coração? Olha, eu não sei.

É triste ver nosso futebol jogado as traças. Pobre mancebo que ainda sonha com um mundo onde o futebol vai voltar a ter o charme de antes e que o Maraca estará lotado num Fla-Flu. Ah, como queria que meu amor hoje pelo meu time fosse tão grande quanto o que sinto por aquele par de olhos verdes.

Mas a verdade é que o romance no futebol acabou, só nos resta rezar para que como uma fênix ele renasça, nem que seja em um lampejo de futebol bonito mostrado em nossos gramados ou pela seleção. E que o 7 a 1 sirva de lição, afinal de contas, vivemos finalmente o complexo de vira-latas, ao menos no futebol, o que vem de fora é melhor. Mas eu ainda acredito no amor e no futebol brasileiro.

Danilo Georgete

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