Compre moda, não fast fashion

Eu aposto, infelizmente, no estilo Chanel para o inverno brasileiro. Liderada por Karl Lagerfeld, a grife produziu moda? É claro que sim, sempre. O problema é a intenção das lojas de departamento de resgatar peças que não aparentam $er tão boas para quem mora no Brasil.

O erro começa com o corte das roupas, pois é feito para quem veste o manequim europeu. A brasileira, claramente, não se encaixa neste perfil (é óbvio, mas pouca gente quer abrir os olhos para isso). O conforto dessas coleções diminuiu. A maioria dos formatos de tweeds serão um terrível incomodo àquelas que só queriam um “casaquinho de inverno”. É justo/apertado, não suporta nossas atividades do dia a dia, além de ser complicado na elaboração do look. Mesmo você não gostando de moda, ficará horas pensando em como combina­-lo, porque é difícil mesmo.

As opções de cores são um desespero! Só temos variações em tons claros de rosa, azul, verde e amarelo somados ao branco. E, se sua vontade é disfarçar o peso, não poderá usar nenhuma delas, muito menos se for com tweed. Além disso, essas cores são um tanto infantis, lembram a primavera e fogem muito do contexto das próximas estações. Se for comprar: fique com o casaco rosa claro, os “problemas” serão solucionados com mais facilidade, aliás, o rosa tem uma história mais bonita, é a melhor escolha.

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Mas o que eu gostaria de saber, de verdade, é como um par de chelsea boots pretas com franjas, que estão nas mesmas vitrines, irão funcionar com a tal da elegância do tweed. Desta vez, não acredito no high­low. Ficou estranho. A combinação de cores e texturas não bate. Sobrecarregou. Tudo isso pode ficar pior quando lembramos da calça flare, que tenta, mais uma vez, ser colocada no gosto popular.

O objetivo das lojas de fast fashion não poderia ter ficado mais claro. Querem fazer você gastar e, geralmente, conseguem. Três peças que não se misturam foram colocadas em uma mesma estação de qualquer jeito. Como se combinassem e fizessem sentido juntas. É regra: a cada compra aumente sua atenção no produto.

A saída para quem não aceita as coleções impostas neste ano, é pegar a calça flare, que é menos vista pelas ruas; a fiel jaqueta de couro (varie na cor); um par de saltos (os clogs!) ou sapatilhas de cores sóbrias; uma camisa branca (brinque com a seriedade); e diversificar a bolsa­ pode escolher a que você quiser! Alguns jornalistas chamam isso da volta à década de 1970. Talvez. Independentemente do ano, é esse um dos prováveis estilos de 2015­2016. Simples, prático e duradouro. Anote e use, principalmente, se a roupa já estiver no seu armário.

Uliane Tatit

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