O pé de Jambo e meu pai…

Só quem tem ou teve um pé de Jambo plantado no quintal de casa, saberá do que estou falando: seu fruto adocicado, amarelo ou roxo, também apreciado pelos pássaros; suas flores, caídas pelo chão que formavam um tapete rosado, sua sombra acolhedora e os troncos e galhos fortes, que me permitiam subir o mais alto possível, seu aroma suave espalhado pelo quintal.

Era assim,o cenário em que trago a lembrança sobre a minha infância. Dizem os psicólogos que para cultivarmos uma vida adulta mais saudável, melhor que tenhamos as melhores lembranças da infância e eu, para a minha felicidade, tenho várias…

Eu fazia do pé de Jambo a minha casa e passava horas por lá e só descia muitas vezes quando ouvia o chamado de mamãe ou quando papai voltando do trabalho chamava-me preparando um puxão de orelhas…nada disto me fazia sair de lá, assim tão rápido, mas o cheiro da comida de mamãe, preparada para o jantar, ah…isto sim, me fazia descer correndo. Me despedia do pé de jambo e olhava para o alto, observando a Lua, que sempre testemunhava tudo.
Não sei se meu pai o plantou, ou se quando vieram para a cidade ele já estava lá.

Papai também fez uma bela e forte gangorra (ou balanço) de corda, onde eu e meus irmãos disputávamos sua posse, lembro-me que quem saísse perdia o lugar para o outro, esta foi a maneira mais democrática que encontramos para que todos pudessem usufruir o máximo possível. Mas o pé de Jambo, ah, o pé de Jambo, este era meu, não dividia com ninguém, fiz quase uma casa em seu tronco e lá tornou-se o meu refúgio, sempre.

Tanto papai, como mamãe, no fundo, sabiam, que aquele apego era saudável e percebiam a felicidade juvenil, que eu e meus irmãos sentíamos por conta daquela árvore maravilhosa e talvez até adivinhassem que na vida adulta esta seria uma de nossas melhores lembranças. Obrigada papai, obrigada mamãe.

Maria Lourdes da Silva

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *