A adorável Amélie Poulain e seu destino

Só quem assistiu ao filme do diretor Jean Pierre Jeunet “O fabuloso destino de Amélie Poulain”, entenderá o motivo desta escolha do tema da crônica desta semana. Creio, que nós mulheres guardamos um pouco da essência de Amélie Poulain dentro de nós, por isto, logo ao assisti-lo, é impossível não se encantar.

Os demais personagens também são curiosos e apaixonantes e se fundem, se encaixam nos temas abordados. A adorável Amélie desde pequena se privava em si mesma, criando um mundo particular, fugindo de sua realidade e a transformando na forma como ela gostaria que fosse. Tudo muito normal para uma criança, mas neste caso a jovem carrega esta característica para a vida toda.

Amélie é sonhadora, como toda mulher romântica e sonha em ser a “doninha” de alguém, mas em vez de criar laços, prefere usar a imaginação criando um mundo paralelo para si e para os outros. Contraditória: ao mesmo tempo, que é boa, é vingativa, uma espécie de “justiceira” vestindo-se de heroína imaginária, jogando com peças erradas em jogo certo.

O filme traz a tona visões simples do cotidiano, que por nós, podem passar despercebidas, mas não para a jovem Amélie que observa tudo e tinha prazer nas coisas mais simples da vida, como atirar pedras no rio ou tirar com uma colher a camada queimada de seu doce preferido, o “Crème Brûleé” que virou o mais famoso doce de Paris após o filme.

O longa ainda traz algumas reflexões sobre o tempo, o seu passar, o seu viver, o valor que damos as angústias e traumas carregados do passado, as expectativas sobre o futuro, o amor.

Cena a cena, quem assiste sempre é surpreendido, trazendo a tona o reflexo de nós mesmos. Amélie tem talento nato para consertar a bagunça na vida dos outros, mas quem conserta a dela? Obviamente encontra o amor em sua forma mais simples, porque ninguém está imune ao amor e “… quando chega a hora precisamos saltar sem hesitar” eis a proposta do filme:“mesmo em tempos difíceis para os sonhadores, seu pedido é sempre realizado”.

O encanto de Amélie Poulain, com seu toque sensível e seu charme discreto para as coisas simples da vida, te aguarda. Então vá em frente, pelo amor de Deus!

E que bom que não temos os ossos de vidro.

Maria Lourdes da Silva

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