Sobre como envelhecer

Hoje foi mais um dia de correria, acordar mais cedo, enfrentar trânsito, correr contra o passar das horas, para acompanhar minha mãe em uma consulta médica. Mesmo assim, vê-la mais sorridente, com os olhos mais brilhantes, apesar de depender, momentaneamente, da cadeira de rodas, trouxe-me um certo alívio, talvez porque estar fora daquele ambiente de internação do hospital faz com que ela tenha mais força e segurança rumo a sua melhora, seja da autoestima, como do próprio físico.

Observei á volta as pessoas idosas que também buscavam atendimento de saúde e percebi um grande número de filhos e filhas acompanhando os seus pais, fator também importante já que também mais tarde estaremos na mesma situação. Segundo o IBGE, a estimativa é de que nos próximos seis anos, haverão 32 milhões de idosos no Brasil, o que equivale a 15 % da população total do país. O envelhecimento populacional exige de governos, famílias e a sociedade em geral, uma nova visão e estratégias para esta nova realidade, que convenhamos, ainda estamos despreparados.

O panorama atual do envelhecimento, mostra perspectivas futuras quanto ao aumento desta população no Brasil e necessita de novos estudos e de políticas públicas nos campos da saúde, educação, qualidade de vida, acessibilidade e diversos outros serviços. Como inserção social e mercado de trabalho, já que temos ainda uma parcela de idosos ativos.

E a preocupação não é somente linear aos cuidados de saúde, mas também com a educação, cultura, entretenimento e esportes, como ações preventivas, pois trata-se de uma sociedade ainda carente de Políticas Públicas mais concretas e assistenciais que protejam o idoso contra os variados tipos de agressões e violências e leis mais efetivas e eficientes.

Pensar no idoso de uma forma geral se faz necessário já que pessoas de 60 a 100 anos não podem ser cuidadas da mesma forma. No Ministério da Saúde, a saúde do idoso é dada como prioritária e promulga uma nova política nacional de saúde, garantindo atenção integral a esta população através do SUS (Sistema Único de Saúde). É fundamental que se criem Leis para proteger os idosos, mas pensar na quantidade, sem a devida qualidade, não a torna funcional.

Claro, que ao falarmos em Leis e Saúde Pública, também nos remetemos as determinantes de saúde ao longo do curso de vida de cada um, seja social, econômico, comportamental, pessoal, e cultural. Além do ambiente físico, levando em consideração a desigualdade social que fortalece a necessidade de campanhas educativas e preventivas na fase mais jovem.

As doenças crônicas devida ao avanço da idade geram um maior consumo de medicamentos, e, em alguns casos ainda agravam o estado do paciente. Além de abalar as necessidades econômicas, gerando uma demanda maior no atendimento público de saúde. Para um modelo de atenção à saúde do idoso, que pretenda apresentar eficiência, será preciso aplicar todos os níveis de prevenção.

A mudança de pensamento quanto ao conceito de “envelhecer” é fator importante para todos nós, com a consciência de que iremos passar por isto também. Devemos sempre respeitar a condição de um idoso e tratá-lo com dignidade. Isto é responsabilidade de todos nós, e é possível de ser feito.

Maria Lourdes da Silva

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *