Coisas que aprendi quando já era tarde demais

O tema deste texto de hoje foi uma sugestão da minha professora de Psicologia, do curso de Licenciatura em Filosofia, a querida Nazir Ramos.

Achei interessante e fiz uma longa reflexão sobre isto, analisando como isto ocorre em nossa vida. Listei algumas lições que aprendi no decorrer de minha vida até aqui e que ainda considero como estar dentro do prazo para fazer, pelo simples fato de eu ainda estar viva e fazer parte de um ciclo natural no mundo, portanto, sujeita a todos os tipos de experiências e situações.

Sempre pensamos em algo que deixamos de fazer ou fizemos algo e logo o arrependimento vem com aquelas lamentações comuns, como se não houvesse mais tempo de mudarmos tal ação. A ação aqui não é o principal, mas o efeito que ela traz, isto sim é de se pensar. Cada leitor, obviamente mergulhará em si mesmo, para trazer lá do fundo uma situação semelhante e comigo, antecipo que o mergulho foi bem profundo, não muito doloroso, pois como diz um velho poeta “… tudo passa!”, mas este “passar” pode ainda nos deixar certas marcas que carregaremos ao longo do tempo.

Não deixo passar diante de meus olhos sequer um detalhe, isto desde pequena, seja uma pena que o vento carrega, uma folha que caí displicente de uma árvore, a troca de carinho de um casal enamorado, o sorriso ou o choro de uma criança, o silêncio da madrugada cortado pelo grito estridente de uma ave noturna, ou os pingos da chuva que parecem cochichar ao cair na madrugada. Existe sempre uma melodia em tudo o que observamos, mas só alguns mais sensíveis conseguem captar.

Claro que me lembro com pesar todas as vezes que pronunciei palavras com certa dureza a outrem ou mesmo quando eu as recebi de outras pessoas, a comunicação violenta é um fator que muito nos machuca, basta observamos os pássaros que nos saúdam com o seu cantar como se fosse um caloroso bom dia ao amanhecer e nem sempre recebem de volta um “bom dia, para você também”, mas ele segue seu rumo, seu destino, cumprindo seu papel na natureza e no mundo.

Entre todas estas coisas citadas, creio ainda haver tempo para apreciá-las e sentirmos o verdadeiro sentindo de estarmos vivos. Para mim o mais doloroso de tudo, foi exatamente enxergar que em um período de minha vida, me abandonei, talvez por achar não ser digna de viver um contentamento, uma alegria e celebrar a vida como se fosse a autora do papel principal e não uma figurante desconhecida que se retira aos bastidores quando a cortina se fecha. Talvez este tempo eu não recupere mais, mas estou aqui, contente, entendendo exatamente o que a vida quer de mim, ao observar todas estas coisas que citei acima e sentir que também faço parte deste processo.

Maria Lourdes

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