Brasil não convence nos dois primeiros compromissos das eliminatórias

A seleção brasileira mantém sua sina que se iniciou na Copa do Mundo de 2014: a equipe comandada pelo técnico Dunga não consegue demonstrar um futebol envolvente. Pelas eliminatórias, o Brasil entrou em campo para enfrentar o Chile, fora de casa, e a Venezuela, em solo brasileiro. Contra os atuais campeões da Copa América, uma derrota que demonstrou a fragilidade do elenco. Contra o fraco onze venezuelano, a vitória escancarou a incerteza da comissão técnica da seleção na composição da equipe que entra em campo. A imagem é da CBF.

Neymar faz muita falta. A seleção tem bons valores: Douglas Costa, Willian, Huck e Ricardo Oliveira, por exemplo, passam por um grande momento em suas equipes. Os quatro, entretanto,  sem dúvidas, não têm nem a metade da importância que camisa 10 representa para o atual plantel brasileiro. Para comprovar isso, basta lembrar da Copa do Mundo, exatamente o divisor de águas da seleção.

Devem-se citar, também, as decisões de Dunga. O treinador do Brasil, muito criticado por suas decisões dúbias na sua primeira passagem pela seleção, agora demonstra insegurança em suas escolhas. Na partida contra a Venezuela, Jefferson, que ostentava titularidade absoluta frente ao Chile, foi substituído pelo jovem Alisson. No comando de ataque, Huck, sacrificado na posição de centroavante na primeira partida, deu lugar a Ricardo Oliveira. Para completar os substituídos, Filipe Luís ocupou a vaga de Marcelo no flanco esquerdo.

Frente ao Chile, o que se pôde ver foi um meio campo sem criatividade. Oscar teve atuação pífia. Elias ficou enroscado na linha de defesa do Brasil, atuando de forma completamente diferente do que o volante costuma fazer no Corinthians. Os seis contra-ataques que o Brasil teve, que, segundo Dunga “poderiam ter definido a partida”, demonstraram o fraco poderio ofensivo da seleção, que, diga-se outra vez, depende da qualidade de Neymar. Huck sabe jogar pela ponta direita, e dificilmente renderia como centroavante. Para isso, Ricardo Oliveira foi convocado.

No segundo jogo então, Ricardo Oliveira foi escalado e demonstrou, dentro da área, lugar onde sabe o que faz, como se deve jogar um centroavante. Pressionado pela vitória, o Brasil começou bem a partida e, com Willian, um dos mais conscientes da seleção nos dois primeiros jogos das eliminatórias, fez, logo aos 36 segundos, o gol que acalmou os ânimos da torcida e do próprio time dentro de campo. Willian também fez o segundo, após bela trama de Filipe Luís com o apagadíssimo Oscar, pela esquerda.

O segundo tempo veio e com ela, o gol de honra dos venezuelanos. A zaga brasileira falhou na cobrança de falta e Christian Santos aproveitou para cabecear. Apesar do gol dos visitantes, o segundo tempo foi dominado pela seleção, que não teve mais problemas além do gol. Ricardo Oliveira foi premiado pela boa atuação e, oportunista, fechou o placar de cabeça, completando belo cruzamento de Douglas Costas, outro que demonstrou qualidade superior aos seus companheiros nas duas primeiras partidas.

E quis o destino que o próximo confronto brasileiro nas eliminatórias fosse contra a Argentina, outra seleção que sente falta da figura do seu principal craque, Lionel Messi, e que ainda não convenceu nas eliminatórias. No retorno de Neymar, a expectativa é que o Brasil tenha uma evolução frente aos Hermanos. A certeza é que esta a partida será a mais difícil dos primeiros compromissos destas eliminatórias. Menos mal que também será muito mais difícil para eles: com um empate em duas partidas, a pressão do lado argentino é bem maior. Resta aguardar, e torcer, para que Dunga e companhia mostrem ao Brasil que ainda merecem um voto de confiança.

Por Osmar Murbach Junior

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