A(s) volta(s) e o adeus

CASSIO BIDA

Hoje é um dia especial por várias razões.

Primeiro, é a minha volta a um site jornalístico depois de um período de ausência. Volto a falar de esportes, em especial de Fórmula 1, agora para os leitores do Conexão News.

Mas a volta não é só minha. A Renault, que teve seus tempos áureos na implantação dos motores turbo no início da década de 1980 e com os dois títulos do espanhol Fernando Alonso, depois de cinco anos, volta com uma equipe própria. Ela substitui a emblemática marca Lotus, que havia adquirido o que restava da Renault e entrou na Fórmula 1 em 2012.

Não era segredo pra ninguém que a fornecedora francesa estava às turras nas últimas duas temporadas. Depois de perder o domínio da Fórmula 1, após quatro temporadas consecutivas de sucesso com a Red Bull, o amor Renault acabou. E surgiu o ultimato: ou voltava a equipe própria, ou os franceses se retirariam da Fórmula 1 de vez.

Como a Lotus estava atravessando dificuldades financeiras e a Red Bull estava à caça de outra parceria vitoriosa, surgiu a oportunidade perfeita para os franceses voltarem com a equipe própria. Aos austríacos, restou a possibilidade de usar uma outra versão do motor Renault, batizada de Tag Heuer, patrocinadora da equipe.

Com a mudança, era esperada uma dança das cadeiras entre os pilotos. Primeiro, Romain Grosjean, que conquistou o único pódio da Lotus na temporada, saiu para a Haas, que contará com o aporte da Ferrari.

E nesta semana surgiu mais um anúncio. Sem o repasse dos petrodólares devido à crise econômica, o venezuelano Pastor Maldonado, um dos pilotos mais folclóricos do grid nos últimos anos, anunciou o fim da sua passagem pela Fórmula 1. Em seu lugar, o dinamarquês Kevin Magnussen assume o cockpit da Renault, ao lado do estreante Jolyon Palmer.

Vitorioso nas categorias de base, inclusive com um título conquistado na GP2 em 2010, Pastor Maldonado, ao longo de suas 95 corridas em cinco temporadas na Fórmula 1, colecionou mais acidentes que grandes resultados. Em suas passagens por Williams e Lotus, apenas uma vitória: o surpreendente GP da Espanha de 2012.

No mais, foi uma carreira marcada por acidentes, quebras e, nas palavras do próprio piloto, uma sequência de azares. Devido a essa sequência arrasadora, um internauta fez um vídeo para homenagear as barbeiragens deste venezuelano que, ao lado de lendas como Satoru Nakajima e Ukyo Katayama, sai da Fórmula 1 com uma fama consagrada.

A Fórmula 1 já anda chata. Com a saída de Maldonado então, perde um pouco mais do que restava da sua graça.

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