30 anos e muita história pra contar, Bruno Gouveia do Biquíni Cavadão

CASSIO BIDA GI

A banda Biquíni Cavadão esteve em Curitiba para divulgar a sua última turnê “Me Leve Sem Destino”, no último sábado (19), no Teatro Positivo. Em um show bastante marcante, rolou de tudo, dos antigos, aos atuais sucessos.

E em uma entrevista exclusiva, o vocalista da banda Bruno Gouveia, conversou com a gente sobre a sua carreira, fórmula 1 e até política. Confira abaixo.

A banda de vocês surgiu lá no ano distante de 1985, e a sugestão de nome teria sido do Herbert Viana, dos Paralamas. Conta pra nós um pouquinho da história. Por que “Biquíni Cavadão”?

Bruno: Então, na verdade quem tem que explicar isso é o Herbert, né? (risos) Porque foi ele quem tirou esse nome, sugeriu pra gente, a gente ficava mudando de nome toda semana, e ele meio que falou assim “Ah, vai ser Biquíni Cavadão e encerrou o assunto”. E nós, na verdade, quando aceitamos a proposta a gente pensou “Ah, cara, vai durar uma semana como todos os outros” Só que está durando já esses 30 anos.

E nesses 30 anos foram várias as transformações que a banda passou, e o país também. Vocês começaram já em um período de abertura política,  e agora estão vivendo essa turbulência política que o Brasil está atualmente. Como você analisa esse cenário de mudanças ao longo desses 30 anos, Bruno?

Bruno: Cara, quando nós começamos, embora tivesse ali a transição do Regime Militar para o Regime Civil, a censura ainda foi muito presente. Nós tínhamos que mandar nossas músicas para a censura, mandamos por alguns anos para serem aprovadas para tocarmos. Nós conseguimos fazer essa transição para a Democracia, nós também conseguimos, depois de mais quase 10 ou 15 anos, dominar a inflação, que está tentando agora voltar. A gente tem hoje uma situação de desesperança no país em relação à política, porque isso já não é de hoje que as pessoas tem essa ideia de que “poxa, a política é totalmente corrupta, as pessoas recebem um monte de propina”, mas a gente encara isso da seguinte forma, é possível mudar. Se nós conseguimos mudar um regime que era ditatorial, com censura e inflação galopante, a gente conseguiu fazer isso ao longo do tempo.

Então saindo do assunto política, vamos falar agora da própria turnê “Me leve sem destino”. “Vento, ventania” que carrega esse verso no comecinho do refrão qual é o sentido, ou significado, disso ao longo de toda essa turnê e por que “Me leve sem destino”, afinal?

Bruno: Porque na verdade nós não imaginávamos que estaríamos 30 anos depois juntos fazendo tanto sucesso, com uma turnê grande como essa, e tudo mais. Eu falo nos shows “bons ventos nos levaram para os quatro cantos do mundo”. E o título na verdade é mais que uma alusão à música, a gente está fazendo novamente um pedido ao vento “continue a nos levar assim, sem destino, para os quatro cantos do mundo” é o que a gente pretende com esse disco, ele é um agradecimento a tudo que nós conquistamos, mas acima de tudo um pedido ainda para que a gente continue sendo levado por esses ventos.

 

E para ventos cada vez melhores, não é, Bruno?

Bruno: Sim, claro. Eu luto para isso, eu acho que a gente tem um orgulho muito grande. Como eu falo, a gente surgiu na década de 1980, se consagrou na década de 1990, e a gente se reinventou de 2000 para cá, conseguindo novas gerações, novas pessoas, novos fãs, e isso que faz com que o Biquíni tenha essa vida tão longeva, ela não é uma vida focada no passado, voltada só para uma época. Você tem sucessos da década de 1980, de 1990, sucessos mais recentes que estão tocando, a própria roda-gigante que foi a faixa-título do nosso disco anterior, foi até indicada ao Grammy de melhor música, então assim, a gente está sempre fazendo essas coisas e somos muito produtivos. Esse ano mesmo a gente já vai fazer um novo disco, deve sair um disco inédito até o final do ano, então faz parte do nosso trabalho estar sempre olhando para frente, um orgulho pelo passado, mas olhando para frente.

Falando um pouquinho até do passado, você que é fã de Fórmula 1. Esse ano completamos 25 anos do último título mundial brasileiro na F1 que foi o tricampeonato do Ayrton Senna. Você continua acompanhando? Como continua sua relação com a F1 depois de toda a revolução dos últimos anos?

Bruno: Acho que a F1 precisa ser reinventada, ela virou hoje um jogo de xadrez, na qual as decisões estão sendo tomadas mais dentro do padock do que de qualquer outro lugar, eu sinto que falta mais o arrojo braço e menos estratégia e tática. Antigamente você tinha uma corrida, na qual você tinha um piloto comandando as ideias e recebendo poucas informações através de pequenas placas e tendo que tomar decisões importantes dentro da corrida. Hoje não, hoje existem computadores, existem pessoas falando ali o tempo todo “vai”, “não, você não troca o pneu”, “ você não pode entrar no box agora”, então o piloto perde um pouco do seu glamour, daquilo que era um romantismo, que era o inesperado. Hoje na verdade o inesperado do piloto é cometer uma barbeiragem e bater.

No ano passado, quando vocês vieram pra cá, deixaram aquele gostinho de “quero mais”, neste ano, podemos esperar isso de novo?

Bruno: A gente precisava passar em Curitiba já há mais tempo,  essa turnê passou por várias capitais, estava faltando passar por aqui. Nesse ano, a gente trouxe coisas que não pudemos trazer no ano passado, que era uma coisa um pouco mais contida, um palco pequeno. O telão que colocamos esse ano em sincronia com as músicas é incrível, tem hora que as pessoas estão olhando só para o telão e a gente tem que dar um gás a mais pra fazer as pessoas olharem para o palco. Mas assim, é uma turnê que consagra o Biquíni, que faz um resumo desses 30 anos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *