Desastre

CASSIO BIDA

Não costumo escrever sobre futebol. Depois das duas últimas rodadas das Eliminatórias Sul-Americanas é meio difícil de ficar quieto sobre o assunto do momento: o arremedo de seleção brasileira que entrou em campo nesta semana.

É fato líquido, certo e notório que teríamos um caminho tortuoso e difícil até chegar à Rússia. Só não imaginávamos que ele também seria amedrontador.

Em seis partidas pela competição, a seleção comandada por Dunga ainda não convenceu em campo. É bem verdade que venceu duas, contra adversários que, convenhamos, não serão tanta ameaça assim no caminho da classificação. Não desmerecendo nem Peru, nem Venezuela (eterno saco de pancadas em Eliminatórias). Mas o Brasil até agora só venceu quando era obrigação fazê-lo.

Há quem diga: “Mas jogar contra Chile, Argentina e Paraguai fora de casa é difícil”. Verdade. Tanto que há mais de 30 anos que o Brasil não vence os paraguaios em Eliminatórias no Defensores del Chaco. O último time que lá venceu tinha craques da estirpe de Sócrates, Zico, Casagrande, Alemão, Éder, Cerezo, Renato Gaúcho… e tínhamos no banco, comandando essa seleção, com base de clubes brasileiros e que jogava mais no Brasil que em Londres, um certo Telê Santana.

Hoje dependemos dos lampejos e da vontade de se ter inspiração de um tal de Neymar. Não temos um time, não temos um conjunto, nem mesmo um esquema. Estamos a caminho de completar dois anos do nosso maior vexame em Copas do Mundo e, ao que parece, ainda não aprendemos nada.

O reflexo disso é um Dunga saindo do campo de jogo em Assunção irritado. Xingando Deus e o mundo, assim como quando levantou a taça do tetra, cheio de mágoas. A posição do atual técnico brasileiro, apesar de delicada, parece ainda intocável. Fruto da bagunça que está a Confederação Brasileira de Futebol.

Se as Eliminatórias terminassem hoje, o Brasil não iria para a Rússia. Nem direito à repescagem teria. O caminho ainda é longo, não chegamos ainda na metade do torneio que dá quatro vagas para as dez equipes que concorrem. E o quinto colocado ainda tem direito a disputar mais dois jogos para saber se chega lá.

Dunga é um cidadão que teve grandes feitos no esporte. Tanto positivos como negativos. E os negativos, especialmente, como técnico. Foi o primeiro treinador que cedeu uma derrota para a Venezuela. Está perto de ser o primeiro treinador a perder com o Brasil um jogo em casa pelas Eliminatórias. Contra o Uruguai, como diria Osmar Santos, bobeou. Mas não caiu. E pelo andar da carruagem, Carlos Caetano Bledorn Verri pode ser marcado para sempre como o primeiro técnico a não conseguir levar uma seleção brasileira para uma Copa do Mundo.

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