Erros e acertos

CASSIO BIDA

O campeonato começou, a abstinência acabou, e agora vamos ao saldo da brincadeira depois de uma madrugada movimentada na Austrália.

A mudança no sistema de classificação não deu certo. Para que uma novidade dessas, que mexe diretamente com o regulamento, seja implantada é preciso tempo. E, acima de tudo, testes. Não houve nem uma coisa, nem outra.

Uma categoria que preza tanto pela qualidade como a Fórmula 1 não pode se dar ao luxo de pecar pelo amadorismo. Pilotos e telespectadores confusos, poucas disputas na hora que interessava e gente poupando pneus para a corrida.

A carta na manga de “Tio Bernie” se transformou em um tremendo tiro pela culatra. A ponto de o próprio dizer que o novo sistema foi “uma bela m…”. Resultado: daqui a uma semana, no Bahrein, de volta ao sistema antigo. Todo mundo dando voltas sem limite de tempo para eliminação.

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Apesar de tudo, foi a única coisa ruim que percebi no GP da Austrália. O fato de terem tirado dos engenheiros todo o poder de ajuste na largada faz uma diferença notável. Em pistas mais travadas como Mônaco e Hungaroring, isso pode ser decisivo.

Vettel saiu como um jato pra cima das flechas de prata, que mais pareciam teco-tecos tentando tracionar para sair na frente. Problema parecido com o que enfrentaram em algumas provas de 2015.

O que atrapalhou a vitória da Ferrari na abertura do campeonato foram duas coisas. Primeiro, a estratégia. Evidente que o ritmo de corrida poderia ser mais rápido repetindo os pneus supermacios, mas a equipe italiana poderia apostar numa corrida mais longa. Isso também tem a ver com o regulamento: a permissão dos pilotos escolherem 10 dos 13 jogos de pneus entre três tipos disponíveis para a corrida. Ponto mais que positivo para este outro acerto do regulamento.

O segundo fator que também mexeu com o resultado foi o forte acidente de Fernando Alonso que provocou uma bandeira vermelha de 20 minutos. Uma senhora pancada, diga-se de passagem. O espanhol, sem dúvidas, nasceu de novo.

Com os carros juntos novamente, e com Vettel obrigatoriamente tendo de parar outra vez, a vitória caiu no colo de Rosberg. Na dele, o alemão venceu a primeira do ano e mostra que o final espetacular da temporada passada não foi por mero acaso. 15 vitórias na carreira, a quarta consecutiva se contarmos o final da temporada do ano passado.

Hamilton terá trabalho neste ano. A Ferrari melhorou e Rosberg vem em uma crescente. Teremos uma disputa interessante por vitórias e pelo título neste 2016 que só está começando.

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Dos brasileiros, pouco a se comentar. Felipe Massa fez o dele. Discreto, conseguiu levar a Williams a um importante quinto lugar. Felipe Nasr, que ano passado foi quinto, parou nas limitações do carro e fechou na 15ª posição. Será um ano sofrido para a Sauber.

Três destaques positivos neste início de temporada:

Pascal Wehrlein mostrou que tem talento. Chegou a ganhar oito posições na largada, mas parou nas limitações do carro e terminou em último. Se deixarem, pode trazer a Manor para os pontos em uma prova ou outra.

A Toro Rosso. Quem diria que o carro, com a versão defasada do motor Ferrari, poderia dar trabalho neste início de ano. Verstappen e Sainz tem uma boa máquina nas mãos. É importante que aproveitem este bom início, pois a tendência é de sofrimento com os outros carros desenvolvendo ao longo do ano.

Por último, e não menos importante, a equipe Haas. Fazia tempo que uma estreante não começava tão bem na Fórmula 1. Mérito também à maturidade de Romain Grosjean. De “maluco da primeira volta” a um piloto consistente, que soube levar o carro sem sobressaltos a um importante sexto lugar. Como o próprio francês disse no rádio ao final da prova, uma vitória para a equipe americana.

Um bom começo para um ano longo. Que seja divertido!

VOLTARAM ATRÁS

“Tio Bernie” e companhia limitada anunciaram, com o mais alto dos alardes, dar uma nova chance ao formato de eliminação. Vão testar de novo a fórmula daqui a uma semana no Bahrein. É a segunda (e provavelmente única) chance para definir se a eliminação pega, é adaptada ou é engavetada de vez. Coerência é uma coisa que o pessoal que manda nesse esporte não é muito chegado a seguir.

Atualizado às 15h45min.

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