Festa na costa dourada, Matt Wilkinson é o campeão em Snapper Rocks.

Por: Nicole Gulin

Confesso que já havia pensando em todo o texto descrevendo a incrível vitória do brasileiro Filipe Toledo, de que forma ele foi imbatível, como seu surf está encaixado e que o título mundial de 2016 era só questão de tempo, mas não foi esse o final da primeira etapa do WCT. Com sangue nos olhos e muito mais focado que no ano passado, o australiano Matt Wilkinson foi o grande campeão do “Quiksilver Pro Gold Coast 2016” em uma final decidida nos últimos momentos contra californiano Kolohe Andino. Aos 27 anos, esse é o primeiro título do australiano em sete anos na elite mundial.

O resultado de Wilko não é por acaso, no final de fevereiro venceu o  QS6.000 em Newcastle, destruindo no backside, ou seja, surfando de costas para a onda. Esse campeonato serviu como treinamento para Gold Coast já que o backside do atleta está afiado e foi responsável por eliminar Adriano de Souza nas quartas de final e Filipe Toledo nas semis.

Com performances beirando a perfeição, Filipe Toledo só foi eliminado por tentar dar mais show. Em uma das ondas em sua semifinal com o atual campeão da etapa, Filipe acabou se lesionando. Mas, mesmo com dores continuou na bateria conseguindo ainda duas notas que poderiam ainda lhe dar a vitória da bateria, um 6.17 e um 7.10. A lesão na virilha tira o atleta também das próximas duas etapas do tour, Bells Beach e Margaret River. Filipinho volta apenas na etapa brasileira, no Rio de Janeiro.

As ondas da série que estavam entrando com certa frequência na bancada de Snapper Rocks durante toda a competição, quase não apareceram na grande final, mas logo a primeira onda do australiano abusou com fortes batidas, recebendo um 8,90 dos juízes. O californiano respondeu em seguida, mas sem finalizar com muita qualidade sua nota foi apenas 6.83. Até os cinco minutos finais, Andino liderava a bateria somando 12.66 contra 11.17 de Wilko, obrigando o atleta da casa a buscar uma onda de pontuação 4,06. Restando apenas quatro minutos para tocar a sirene, Matt encontrou uma onda arrancando dela uma nota 5,60, virando a bateria para sua surpresa e também a felicidade de todos aqueles que foram lhe apoiar em um dia chuvoso na costa dourada australiana.

O desempenho dos brasileiros nessa etapa não foi tão brilhante como em 2015, (Como esquecer os brazucas dominando todas as baterias?) Filipe terminou em terceiro lugar, Mineirinho em quinto. Caio Ibeli, estreante no tour ficou com a nona colocação. Gabriel Medina, Italo Ferreira Wiggolly Dantas e Jadson André acabaram na décima terceira colocacão. Miguel Pupo e Alex Ribeiro não passaram do round dois, ficando em 25º.

Aussies X Brasileiros. Em 2015 nos já vimos essa disputa e em 2016 parece que essa rivalidade vai ser ainda mais acirrada. Durante os dias de competição os australianos marcaram presença e uma das situações que chamaram a atenção foi um cartaz bem humorado com a seguinte frase:  Brazil has Storms. Australia has Cyclones!! (Brasil tem tempestades. Austrália tem ciclones). A brincadeira desse torcedor nos faz refletir. Tempestades demoram a passar, ciclones podem até fazer um estrago maior, mas logo passam. Bells Beach começa dia 24, em menos de dez dias. Façam suas apostas. Sem Filipinho, continuo com os brasileiros: Gabriel Medina e Adriano de Souza. Australianos que me perdoem, mas a tempestade vai demorar a passar.

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