O chocolate & eu – Conexão News

O chocolate & eu

Raphael Moroz

A minha história com o chocolate começou cedo. E pelo que contam meus pais, a minha relação com esse doce não era nada amigável. Nas festinhas dos meus brothers do rol do berço, eu mal via um brigadeiro exposto lindamente na mesa de doces e já tratava de cutucá-lo com o meu terrível dedinho indicador direito. Pensam que eu consumia o doce depois da agressão? Que nada! Eu simplesmente deixava-o no mesmo lugar, todo detonado e envolto nos poucos granulados que haviam sobrado.

Alguns anos depois, vó Hilda – doceira que só ela – apresentou-me ao maravilhoso mundo das balinhas doces. Na casa dela, cada pote escondido nos armários da cozinha revelava uma infinidade de sabores capazes de inebriar qualquer criança (e alguns adultos, também). Caramelo, morango. A cada período de férias que eu passava na casa da vó Hilda, novos sabores eram adicionados. Cereja, iogurte, e daí por diante, que delícia.

O acesso liberado a esses potes mágicos atiçou o meu paladar para o consumo de açúcar. Pouco a pouco, comecei a aceitar, também, as barrinhas de chocolate que me ofereciam e percebi que brigadeiros eram inofensivos e deliciosos. Deixei, então, de cutucá-los com as mãos e passei a triturá-los com meus dentes de leite. Um atrás do outro. Sou, até hoje, um devorador de brigadeiros em festas infantis.

Lembro que, na adolescência, eu adorava ir ao mercado. Enquanto meus pais compravam o que era necessário para a nossa casa, eu ficava observando a vastidão de chocolates ofertados na prateleira de doces. Se meus pais não estavam dispostos a comprar o chocolate que eu queria, eu usava uma tática que acredito que ainda seja muito empregada por adolescentes chocólatras: os distraía enquanto entregava o doce para o funcionário do caixa. Quando eu via o empacotador colocando o chocolate na sacola, respirava aliviado e dava a missão como cumprida. Sempre dava certo, mas, como a minha mãe tinha o costume de conferir, na nota fiscal, os itens comprados no mercado, eu não conseguia escapar da bronca.

Como se não bastasse consumir chocolate por conta própria, eu também incentivava os outros a consumir. Na páscoa, a casa da vó Hilda se transformava na fantástica fábrica de chocolates: eu e meus primos comprávamos o doce em barra e produzíamos bombons, coelhinhos e ovos artesanais. Depois, embalávamos os doces e vendíamos para os parentes e pedestres que transitavam pelo bairro. Como você pode perceber, a cultura do chocolate sempre esteve muito forte dentro de mim!

A adultice chegou e, com ela, a responsabilidade de me alimentar corretamente. Hoje, praticamente não consumo chocolates industrializados. Prefiro conhecer confeitarias e chocolaterias que sirvam produtos exclusivos e que me surpreendam com sobremesas que têm a minha cara. Para mim, comer um doce não significa simplesmente sentar e detoná-lo em menos de cinco minutos. Para mim, o ato de consumir uma sobremesa envolve a paquera com a vitrine de doces, o acolhimento dos funcionários do estabelecimento, a apreciação do ambiente. Considero que a atitude de degustar uma sobremesa é uma cerimônia, tanto quanto um casamento ou um culto: você chega, escolhe uma mesa que lhe agrade, lê cuidadosamente o cardápio ou observa a vitrine de doces e faz o seu pedido. Quando a sobremesa finalmente chega, você degusta pedaço por pedaço, deliciando-se com a perfeita sintonia entre os ingredientes. Não é simplesmente mágico?

Ultimamente, tenho me aventurado pelas ruas de Curitiba – minha terra natal – em busca de lugares que sirvam sobremesas de chocolate memoráveis. Para a minha alegria, a cidade tem cada vez mais lugares incríveis que servem esses doces. A boa notícia pra você, chocólatra de plantão, é que eu vou divulgar cada um desses locais aqui, nesta coluna, a cada 15 dias. E estou super animado pra começar! Vem comigo?

Um comentário em “O chocolate & eu

  • 11 de março de 2016 em 18:21
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    Gente, quero logo conhecer todas as dicas. Melhor coluna de todas *__*

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