A serenidade de Zé Roberto Guimarães em busca do ouro olímpico – Conexão News

A serenidade de Zé Roberto Guimarães em busca do ouro olímpico

DANI

A fala serena e calma é reflexo de seu desempenho no comando das equipes que treina. Pouquíssimas vezes vimos Zé Roberto Guimarães explosivo na beira da quadra. O jeito tranquilo que levou ele ao posto de maior vencedor olímpico do país, aos 61 anos de idade e com três ouros olímpicos, sendo o primeiro treinando o vôlei masculino em Barcelona 1992, e o bicampeonato com as meninas em Pequim 2008 e Londres 2012, ele se prepara para a competição mais difícil da história, os Jogos Olímpicos dentro de casa.

Ele mesmo descreve que a Olimpíada tem uma magia própria e que a competição é diferente de todas as outras. Com todo esse histórico dentro dos Jogos seria inevitável colocá-lo como um dos principais nomes para ser um último condutor da tocha olímpica, mas ele tem uma opinião diferente, diz que não gostaria e ainda cita quem deveria ser o responsável por acender a pira. “Pelé, ele deveria carregar, é o maior símbolo do esporte brasileiro”, disse.

Durante pouco mais de dez minutos  de conversa na beira da quadra, Zé Roberto analisou os adversários nos Jogos Olímpicos, falou sobre a pressão de jogar em casa, sobre o objetivo dos amistosos em São José dos Pinhais e sua visão sobre o lado psicológico dos atletas que vão disputar a Rio 2016. E você confere agora o conteúdo na íntegra dessa conversa na íntegra logo abaixo.

Essa semana saiu o sorteio dos grupos do Vôlei nas Olimpíadas. Qual você acha que vai ser a maior dificuldade da seleção na primeira fase?

Zé Roberto: Nosso grupo é composto de seis times, e desses seis, três deles nós sempre tivemos muita dificuldades em jogar. A Rússia, que sempre foi uma grande pedra no nosso sapato, com jogos difíceis, e os outros dois times asiáticos que são Coreia, e Japão, que também sempre foram times que nós tivemos dificuldades antecedentes. Então eu acho que o nosso grupo é complicado, são escolas diferentes, a Rússia com bolas altas e atacantes bem potentes, o Japão com sua velocidade, seu sistema defensivo, suas combinações de ataque, vai ser muito interessante e com certeza difícil, mas a gente ta se preparando pra minimizar e jogar de igual pra igual contra eles.

Disputar Olimpíada no próprio país, e no Maracanãzinho, lugar que a seleção conhece tanto, é um diferencial?

Zé Roberto: É uma pressão muito grande, jogar em casa diante da nossa torcida e com a expectativa do time ser bicampeão olímpico. Mas essa historia tem que ser reconstruída, cada Olimpíada que passa começa uma nova história, eu acho que a torcida pode nos ajudar muito, apesar da pressão que nós vamos sofrer pelo resultado. Mas acho que é importante estar aqui e treinando em casa, jogar em um ginásio que a gente conhece, e os adversários que estão ávidos por uma medalha de ouro. Nós temos time pra jogar contra qualquer time do mundo, e os Jogos Olímpicos são sempre uma atmosfera diferente, um clima completamente diferente de tudo aquilo que a gente já jogou, de mundiais, de Grand Prix, Copa do Mundo, e que tudo pode acontecer.

Na Copa do Mundo de futebol em 2014 os jogadores sentiram bastante a parte psicológica por estarem jogando em casa. Você acha que isso também pode acontecer em outros esportes?

Zé Roberto: Acho que isso é normal, em 2014 eu tive oportunidade de assistir dois jogos, e a gente sabia dessas dificuldades que o Brasil iria encontrar. Então acho que é normal essa emoção, essa carga de adrenalina maior. Porém, desde pequenas elas estão habituadas a jogar sempre pelo resultado, e a gente não pode esquecer que moramos num pais que segundo e ultimo lugar é a mesma coisa, as pessoas querem saber somente do ouro, então a gente já cresceu dessa maneira, sabe da pressão, e a gente se prepara pra isso, lógico que os adversários tbm querem ganhar, tão treinando pra isso e a gente sabe que vamos encontrar dificuldade. Mas isso faz parte da vida e do contexto dos Jogos Olímpicos, agora a gente tem que torcer pra tudo de certo, que ninguém se machuque, e que a gente jogue bem, acho que pelo menos se jogarmos bem, todo o povo brasileiro reconhece isso.

Esses dois jogos aqui em São José servirão de testes para o Grand Prix. O que você espera desses dois amistosos?

Zé Roberto: Acho que é um começo pra que a gente possa dar ritmo para as jogadoras, porque dia 9 de junho a gente começa o Grand Prix, e esse ano a primeira fase é no rio, com uma aclimatação para os Jogos Olímpicos, e esses dois jogos servem exatamente para preparação e para ver a performance dessas jogadoras como é que elas vão responder ao treinamento que nós estamos realizando, então esse é o feedback que nos vamos ter de toda a preparação que nos fizemos até o momento.

*Colaborou Guilherme Dias

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