Citius, altius e fortius

jorge

 

O esporte nasceu com a idealização do herói, que era a figura que representava sua família, era porta-bandeira de uma nação inteira. Mesmo a era do profissionalismo não mudou o conceito do ídolo no meio e alguns homens e mulheres conseguem fugir do senso comum, contrariando a realidade, para assim, se aproximarem dos deuses. Stephen Curry é um dos casos.

Nesta terça-feira (10) ele foi eleito o melhor atleta da temporada regular (MVP, na nomenclatura original) da NBA, a liga de basquete norte-americana. Com a absurda marca de 30,1 pontos (sendo que sua média de minutos em quadra é de 34,2), além de levar o seu segundo troféu da premiação, ele o venceu por unanimidade, fato que nunca antes havia ocorrido no esporte. Nem mesmo Michael Jordan, o maior atleta de toda história do desporto conseguiu esse feito. Curry o fez.

Seus feitos transcendem os números, que muitas vezes frios, não explanam a genialidade de um homem. E olha que esse rapaz gosta de manipular os dados como se fossem seus adversários. Somente nessa temporada ele quebrou os recordes de maior número de bolas de três em jogos consecutivos, maior número de bolas de três em uma temporada, além de ser peça primordial no elenco do Golden State Warriors que conseguiu o maior número de vitórias em um ano, tirando do trono justamente o Chicago Bulls de Michael Jordan. Mas, Curry consegue ir além disso…

Aos 28 anos ele já é rosto de um esporte. Esqueçam LeBron James, ele foi destronado no primeiro anel do novo rei, que em seus dedos deverá ter mais enfeites para mostrar aos netos. Está perto de decidir outra vez a liga, inclusive, travando uma luta contra diversas lesões em seu corpo. Seu espírito é maior que elas. Seu desejo de vencer transcende suas dores. Nem mesmo os vídeo-games podem imitar todos seus movimentos, ele é quase um inumano.

O futuro? Só os deuses saberão dizer, mas é certo que eles não impediriam a humanidade de acompanhar um digno representante do ideal olímpico em ação. Se o maior evento do esporte nasceu para homenagear as divindades, Curry é o maior tributo da raça humana nesse século. Se Pelé, para muitos, foi o maior atleta do início da Era do Profissionalismo, Stephen Curry assumiu o reinado para os anos 2000. Para o deleite de religiosos e pagãos.

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