As fotos esportivas alimentam a “cultura do estupro”?

Queridos amigos, hoje não tem personagem na coluna, não tem histórias romanceadas, tem a realidade que mais está presente nas rodinhas de conversa e mesas de bar: o estupro.

Sim, tem a ver com toda a história da adolescente que foi estuprada por mais de 30 homens. Já adianto para aqueles que vão me criticar (sei que serão muitos) que sou totalmente contra o estupro, que concordo que a mulher passa por uma realidade que nós homens nunca vamos saber como é. Me preocupo com minha mãe saindo de casa a noite, me preocupo com a minha namorada, minha prima, afinal de contas todas estão sujeitas a sofrerem algum abuso.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que a cada 11 minutos uma pessoa é estuprada no Brasil. Um número alarmante.

Li esses dias um texto que dizia que o mundo esportivo é um dos que mais propagam a “cultura do estupro”, coloco entre aspas pois acho essa expressão muito forte.  Nas próximas linhas vou falar um pouco sobre isso, mas antes reafirmo o que disse no começo: temos que acabar com essa falta de segurança na vida das mulheres. Pois sempre sofrem algum abuso, na rua, ônibus, em casa, balada.

Pois bem, vamos falar sobre esse texto que li. Ele foi escrito por Nana Queiroz, diretora executiva da Revista AzMina. Aliás, um texto bem explicativo em alguns pontos e um pouco sensacionalista em outros. Ela diz que o mundo esportivo é um dos que mais propaga essa “cultura do estupro” e que fica escandalizada ao ver fotos das bundas das atletas do vôlei estampadas nas capas dos jornais, enquanto tinham outros tantos lances. Mas esses registros acontecem tanto no masculino quanto no feminino, e sempre refletem uma jogada.

Geralmente esses registros indicam uma jogada a ser feita, as mãos e os dedos mostram o indicativo do que será realizado em quadra. É óbvio que alguns homens ao verem a imagem desejam as mulheres, mas as mulheres também desejam fotos de atletas homens retratados. Não sejamos hipócritas para falar que esse desejo só vem do sexo masculino.

E, cá entre nós leitores, não são essas fotos das atletas no vôlei que estimulam um estuprador. Assim como não são as roupas curtas que estimulam, nem tampouco a mulher ficar bêbada. Nada é motivo para um estupro.

A nossa sociedade precisa urgentemente resolver esses problemas sociais. Nós jornalistas precisamos acabar com rótulos de musas e musos. Mas se as fotos das atletas propagam essa “cultura”, estamos abrindo espaço para dizer que as fotos que as mulheres tiram na praia e postam nas redes sociais também estimulam.

Vamos focar mais no que interessa, em como acabar com essa violência contra a mulher. Não vamos rotular fotos esportivas como propagadoras dos estupro. Afinal de contas, se não puder fotografar os lances que foram questionados no texto, não vamos fotografar a natação feminina, nado sincronizado, ginástica artística e rítmica. Não vamos fotografar nenhuma modalidade esportiva que as mulheres participam.

Não posso crer que fotos das nossas mulheres no esporte propagam o estupro. Vocês vão me dizer que ela falou das fotos das bundas das atletas, ok. Mas e as pernas? A barriga? Os seios? Ah, esses não estimulam? É só a bunda que propaga a “cultura do estupro”? Menos né!

Por fim, vamos nos unir e tentar acabar com essa violência contra a mulher. Semana passada foi a adolescente de 16 anos, amanhã pode ser nossa mãe, namorada, prima. A violência está em todas as esferas da sociedade e todas as mulheres estão sujeitas. Vamos dar um basta.

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