Fim de semana movimentado na velocidade

CASSIO BIDA

Não consegui assistir à corrida inteira, tive acesso apenas ao famoso “teipe” com os melhores momentos. Além, é claro, das reportagens sobre o que rolou em Mônaco. Especialmente o trabalho do amigo e companheiro Jorge de Sousa que me substituiu com competência nessa prova. A ele, novamente, meus agradecimentos.

Mas o pouco que acompanhei dá base para comentar algumas coisas. Uma delas, que é notória, foi a evolução dos motores Renault. Fazia tempo que uma equipe não ameaçava o domínio da Mercedes em um treino classificatório. Foi a primeira vez, desde Cingapura no ano passado, que pelo menos uma das flechas de prata não largavam na primeira fila. Não por acaso, Red Bull e Toro Rosso optaram por retomar a parceria com os motores franceses a partir do ano que vem pelos próximos dois anos.

Com a chuva, a largada acabou sendo com o Safety Car. Embora seja óbvio que a medida tem tudo a ver com a segurança dos pilotos, ela tira o componente da emoção e imprevisibilidade de uma largada. Mesmo assim, em um circuito tão travado quanto Monte Carlo, não poderia haver outra solução.

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O certo é que o campeão voltou. O tricampeão voltou. Hamilton, apesar da má fase no início do campeonato, não pode ser descartado. Não se desaprende a pilotar do dia para a noite. Nem mesmo se esquece de como chegar ao caminho das vitórias. Era fatal que hora ou outra o inglês voltaria ao alto do pódio.

Três fatores levaram ao primeiro triunfo do número 44. O primeiro foi a chuva, capaz de embaralhar qualquer corrida. A segunda foi a estratégia. Estratégia que prejudicou o mesmo Hamilton em 2015 após uma entrada do Safety Car no final da prova. Na ocasião, o inglês liderava até a parte final da prova quando foi aos boxes para uma última troca de pneus. Graças à troca, perdeu a liderança e a vitória. Neste ano, ele aguentou o máximo que pôde com os pneus de chuva até a troca direta para os ultramacios. O pulo do gato foi decisivo para a vitória.

O segundo foi a competência. Hamilton segurou Ricciardo de todas as formas durante a pressão. O fechadão na chicane após o túnel mostra que o tricampeão está em ótima forma. E o australiano segue com a sua sina de falta de sorte.

Com isso, chegamos ao terceiro fator. Este, inevitavelmente, acaba fazendo parte dos vencedores: a sorte. Hamilton ganhou a liderança, e a prova, no momento em que a Red Bull se atrapalhou para a segunda troca de pneus do carro 3.

Ricciardo, pela segunda vez seguida, foi prejudicado por erros estratégicos da equipe. Na Espanha, foi uma parada a mais que custou o pódio e a vitória, já que até a última parada ele liderava a corrida. Em Monte Carlo, o pessoal dos boxes esqueceu os pneus e a troca demorou mais que o previsto. Dois erros imperdoáveis. Não por acaso, o sempre sorridente Ricciardo tem rangido os dentes com frequência.

Para Hamilton, o final não poderia ser melhor. Com a vitória e o principal rival pelo título pontuando pouco (Rosberg foi apenas o sétimo), o campeonato respira e pode voltar a se incendiar em Montreal.

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E a chamada “rádio paddock” já está com a corda toda. A “rádio paddock” é uma espécie de corredor de fofocas por onde circulam informações de caráter especulativo sobre o que pode acontecer na temporada do ano que vem. Ela geralmente costuma ficar mais ativa na parte final da temporada.

Mas em Mônaco algumas informações começaram a circular e já deixam espaço para algumas negociações. O principal foco do momento é a Williams que tem seus dois pilotos, Felipe Massa e Valtteri Bottas, com contrato em encerramento no final desta temporada.

Embora a intenção natural da equipe seja manter a dupla, há informações por parte do conceituado site “Motorsport.com” que Massa estaria em conversas com a Renault para a próxima temporada. Com a vaga do brasileiro em aberto, especula-se que Daniil Kvyat, rebaixado da Red Bull para a Toro Rosso, e Jenson Button, há seis anos na McLaren, seriam os favoritos para a vaga.

Kvyat, nota-se, está insatisfeito com o rebaixamento. E teve uma manobra precipitada na curva Rascasse ao tentar uma ultrapassagem impossível em Kevin Magnussen. Com toda essa insatisfação uma mudança de ares seria mais que benéfica ao russo. Button, por sua vez, convive com a pressão da McLaren colocar, a todo custo, o belga Stoffel Vandoorne como titular o mais imediatamente possível. Seria uma oportunidade para o inglês, campeão de 2009, voltar à equipe que o projetou e por onde ele começou em 2000.

Mas o próprio Button, em entrevista recente, descarta a possibilidade de abandonar a McLaren. A aposta dele é que a mudança do regulamento técnico irá privilegiar os pilotos com maior experiência no grid para ajudar no desenvolvimento das máquinas. Esta situação, na mente de Button, seguraria o veterano por mais um ano em Woking. Alonso tem contrato garantido até o final de 2017.

Aguardemos os próximos capítulos…

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Para encerrar, algumas linhas sobre as 500 milhas que tiveram sua centésima edição. Uma bela festa, como só os americanos sabem fazer. Um espetáculo em todos os sentidos tanto no show antes da prova como, e principalmente, no decorrer da corrida na pista. Os brasileiros tiveram uma boa performance, chegaram a liderar, mas não conseguiram aparecer na foto do pódio. Tony Kanaan chegou mais perto, terminou em quarto.

A vitória? Surpreendente, como na maioria das vezes no famoso oval. Alexander Rossi, piloto que estava na Marussia ano passado e foi dispensado da Fórmula 1, aproveitou um lance de estratégia e venceu cruzando a linha com pouco combustível.

O automobilismo respirou como nunca neste último 29 de maio.

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