Tio Bernie, suas loucuras e polêmicas

CASSIO BIDA

Tio Bernie anda falando mais que a língua nesses últimos dias. Primeiro as ameaças a um possível fim do Grande Prêmio do Brasil. Depois a possível redução do número de etapas para 18 já a partir do ano que vem.

É fato consumado: quando não há tanto assunto nas pistas, fora delas alguém tem que aparecer. E quando aparece é logo o dono do negócio. Bernie Ecclestone, carinhosamente apelidado por aqui de “Tio Bernie”, acionista majoritário do esporte, é famoso pelas suas declarações ácidas e polêmicas. Além das exigências financeiras a níveis faraônicos.

O mundo atravessa uma crise econômica sem precedentes. E o automobilismo, como em todas as áreas, vem sofrendo os efeitos. As equipes estão tendo de se virar com economia de motores e limitação de desenvolvimento das unidades de potência. Mas parece que Tio Bernie vive em uma realidade alternativa. Sempre querendo explorar ao máximo o potencial financeiro tem preferido palcos “exóticos” para o espetáculo da velocidade. O mais recente foi Baku.

Na lógica do “dono da bola” funciona assim: se pode pagar, está dentro. Caso contrário, caia fora. Não por acaso países tradicionais como França, Portugal e Holanda já estão longe da Fórmula 1 há tempos. Itália, Canadá e Alemanha estão sob forte risco de serem os próximos a darem adeus pelo mesmo motivo.

Concordo que o número de etapas este ano foi exagerado. Fazer 21 corridas no ano, 12 delas em esquema de “dobradinha” (duas corridas em dois finais de semana consecutivos), é mesmo cansativo para pilotos e mecânicos. E até para o público e profissionais de imprensa. Uma verdadeira maratona.

A grande questão é buscar o equilíbrio sem prejudicar os principais palcos. Afinal, nada mais triste que uma Fórmula 1 sem Monza, Interlagos ou Spa em detrimento dos “Tilkódromos” de Abu Dhabi, Sepang e Shangai.

Com essa birrinha e a falta de abertura da F1 à modernidade (e nesse quesito as outras categorias dão uma goleada e tanto), Tio Bernie vai virando um velho esclerosado e ranzinza que só afasta possíveis novos fãs do esporte. Vamos torcer para que os ventos mudem. E logo!

****

Sobre a polêmica do Brasil não ter mais Fórmula 1 a partir do ano que vem, o promotor do evento tratou logo de tranquilizar os fãs. Afinal, o contrato está garantido até 2020 e as reformas no paddock, pedido de Ecclestone para a manutenção da prova no calendário, estão indo em um bom ritmo. Tudo deve estar pronto para receber máquinas, pilotos e torcida entre os dias 11 e 13 de novembro.

O que mais entristece nessa história toda é ver o principal piloto brasileiro na categoria endossar a opinião de Tio Bernie. Felipe Massa chegou a dizer que é bem possível que o Brasil já não receba mais a categoria no curto prazo.

OK, o Brasil não vence há 7 anos. Quando o assunto é corrida em casa, já são 8 de jejum. Mas mesmo quando o Brasil viveu um período de entressafra, entre o final dos anos 70 e o início dos 80, ainda havia torcida lotando autódromos como Interlagos e Jacarepaguá.

Hoje em dia, mesmo com índices ruins de audiência na televisão, ainda há público para acompanhar a corrida in loco. Ou seja, quem gosta faz um esforço e vai. Triste é ouvir do piloto local com melhor condição de resultados um comentário destes.

****

Sobre a corrida do domingo passado, não há muito o que se falar. Rosberg aproveitou bem a oportunidade que se desenhou à frente e deu um verdadeiro passeio, quase um desfile, nas ruas do Azerbaijão.

Fez história. Tornou-se o primeiro a vencer ali. Mais ainda: retomou uma vantagem tranquila no mundial. Voltou a abrir 24 pontos na liderança e respira mais aliviado para a dobradinha Áustria-Inglaterra.

Massa conseguiu a proeza de cair de quinto para décimo. Já Felipe Nasr teve uma prova para se lembrar. Com a melhor performance no ano, levou a Sauber ao Q2 e terminou a prova em 12º, próximo dos pontos. Tomara que a sorte continue sorrindo para Nasr. E que Massa consiga retomar o caminho dos seus melhores dias.

****

O que cresce é o tradicional “zum-zum-zum” da “rádio paddock”. A última da estação mais movimentada das fofocas foi a possibilidade de Sergio Perez assumir um lugar na Ferrari. O de Kimi Raikkonen, cujo contrato termina no final desta temporada. E, a julgar pela motivação “cativante” do Homem de Gelo, não deve ser renovado.

É verdade que o mexicano já fez dois pódios este ano e vem com uma pilotagem sólida nas últimas duas temporadas na Force India. Mas há que se botar as barbas de molho com Perez. Em 2013, quando teve sua chance em um time grande, decepcionou de forma absurda. É verdade que a McLaren já não entregava um grande carro, mas dado o potencial e o aval com que “Checo” chegou em Woking era esperado um desempenho melhor. Pelo menos alguns pódios. Com sorte, uma vitória.

Não custa lembrarmos de outros casos de pilotos de sucesso em times médios/pequenos e que perderam a mão nas grandes equipes. Ficando só nos últimos 25 anos tivemos dois exemplos notórios.

Um deles foi o italiano Riccardo Patrese com aquela Williams sensacional do princípio dos anos 90 e da Brabham do início dos 80. Por uma dessas ironias, Patrese viu “de camarote” dois títulos mundiais como piloto número 2. Piquet em 1983 e Mansell nove anos depois.

O outro foi o alemão Heinz-Harald Frentzen. Surgiu como fenômeno na Sauber entre 1994 e 1996. No ano seguinte, assinou com a poderosa Williams que daria o título a Jacques Villeneuve. Frentzen só venceu uma, em Imola. Depois que saiu de Grove, foi piloto da Jordan e teve um 1999 sensacional. Por pouco não chegou em condições de brigar pelo título na reta final.

Giancarlo Fisichella teve uma chance recente na Ferrari em 2009 depois do acidente de Felipe Massa. Sempre conhecido como segundo piloto razoável em seus trabalhos, o “Físico” chegou à Ferrari depois de boas performances na Force India. Quando vestiu o macacão vermelho, porém, só decepcionou. Na Renault, viu Alonso conquistar seus dois títulos em 2005 e 2006.

O medo de ver Perez falhar em uma segunda chance é grande. Mas, vale lembrar, a Ferrari segue de olho em outros nomes. Valtteri Bottas segue cotado. A dupla da Red Bull ainda desperta desejos, mas Ricciardo e Verstappen renovaram com os austríacos até 2018.

Novas informações e especulações nas próximas semanas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *