Nos braços da galera

CASSIO BIDA

Foi corrida de Gente Grande. Assim, em maiúsculo mesmo. Dois finais de semana intensos. Primeiro na Áustria, com o toque no final da prova. Agora na Inglaterra, com uma pole conquistada de forma dramática. Vencer em casa é para poucos. Vencer quatro vezes, para raros. Vencer três vezes seguidas só para um. Não por acaso, o atual campeão foi ovacionado e caiu nos braços da galera para celebrar mais uma conquista em casa.

Lewis Hamilton mostra que, aos poucos, vai retomando o controle da disputa do título mundial. É bem verdade que a largada com o safety car ajudou a manter as posições de início. Depois que o carro de segurança saiu, aí foi aquele verdadeiro passeio no parque. Uma corrida sem ameaças e, apesar do erro na volta 28, sob controle desde o início.

Com a vitória do último domingo, em território europeu, já são três triunfos de Hamilton contra apenas um de Rosberg. No campeonato, porém, o alemão ainda leva vantagem: 5 a 4. Na semana que vem, mais uma dobradinha: Hungria-Alemanha. A disputa pode ferver ainda mais e quem sair de férias na frente terá, sem dúvidas, uma tranquilidade maior para trabalhar pelo título mundial.

O momento claramente é de Hamilton. Rosberg, depois de um início avassalador, vai dando mostras de que se incomoda demais sob pressão. O sinal, que até o GP da Europa era amarelo, está vermelho. E o que acontecer nas duas semanas que se seguem podem definir de vez os rumos do mundial em sua reta final. Se Rosberg perder a liderança, dificilmente terá possibilidade de retomar a ponta naquela que pode ser sua última chance de ser campeão mundial.

*****

Entre os normais, Verstappen mostra cada vez mais que foi um grande acerto de Helmutt Marko. Apesar de ter um olho só, Marko é um homem de grande visão (piada horrível, eu sei. Mas inevitável). Peitou muita gente para apostar no menino de 18 anos. E ele tem dado conta do recado.

O holandês vem de dois pódios seguidos (Áustria e Inglaterra). Mais que isso: mostra consistência, sabe conservar bem os pneus e guia muito bem sob pressão. A ultrapassagem dele sobre Rosberg na volta 16 foi de almanaque. Por fora, no meio dos esses antes da reta do Hangar. Isso sem abrir a asa móvel, o que faz da manobra ainda mais bonita. E em cima de uma Mercedes, o melhor carro do grid.

Isto mostra o quanto a Red Bull tem progredido. E comprova a tese de que a Mercedes não queria fornecer motores ao time rival. Se já com um motor Renault, eles conseguiram arrancar um segundo e um terceiro lugar, imagine se estivessem com a mesma potência das flechas de prata?

Não por acaso, o australiano Ricciardo tem perdido o brilho dos sorrisos de outras corridas. A vez é do menino holandês. Olho nele para 2017. Com um novo regulamento e um carro bem projetado (algo bem plausível para os padrões do mago Adrian Newey), Verstappen pode ser candidato ao título e se tornar o mais jovem campeão mundial de Fórmula 1.

*****

Ainda sobre 2017 a Ferrari agitou os bastidores. Primeiro com a versão 2.0 do chamado Halo, o popular “chinelão”. Ainda não sei quão eficaz será essa proteção para os pilotos em caso de objetos atingindo o cockpit. Peças pequenas ainda correm o risco de passar por ali. Isso sem falar no visual. Horrível!

Vettel, que teve a responsabilidade de testar a engenhoca, disse que o Halo prejudica um pouco a visão dos pilotos. Mas que depois de algumas voltas quem corre se acostuma. Uma pena o aeroscreen não ter passado no teste de resistência a impactos. Além de mais bonito, creio que seria mais eficaz em casos como o de Felipe Massa em 2009.

Volto a dizer: a segurança é necessária, mas o risco é parte inerente do esporte a motor. Em caso de peças grandes o Halo pode ajudar. Mas para peças pequenas, o “chinelão” pode se mostrar totalmente inútil.

Ah, e o segundo destaque foi a renovação de Kimi Raikkonen para o ano que vem. Um verdadeiro balde de água fria no mercado de especulações para a próxima temporada. Era, de longe, a vaga mais cobiçada entre os pilotos das equipes médias. Com isso, Sergio Perez, provavelmente, terá de se contentar com mais um ano na Force India.

*****

Agora, uma das possíveis saídas seria a do brasileiro Felipe Massa da Williams. Não é segredo que o time de Grove anda em marcha à ré a cada temporada. E como o brasileiro está mais próximo da aposentadoria, pode ser que 2016 marque o fim de uma carreira vitoriosa. Embora o time tenha admitido que Massa seja a primeira opção para o ano que vem. Com um regulamento com carros totalmente novos, a experiência será fundamental para desenvolver os bólidos.

Talvez por isso a McLaren ainda não tenha batido o martelo quanto a permanência ou não de Jenson Button na equipe. Mas no caso do time de Woking, a definição já seria clara: Stoffel Vandoorne seria promovido ao posto de piloto titular. A equipe vem mostrando melhoras boas a cada prova, brigando próximo à zona de pontuação. E pode, no futuro, ser um posto novamente desejado.

*****

Pra encerrar uma notinha de rodapé sobre a corrida dos brasileiros. Massa tentou, mas não pontuou. Nasr fez o que pôde, mas ficou em 15º.

E a Globo, depois de tomar uma senhora chinelada do público (inclusive deste humilde colunista), resolveu mostrar o pódio na íntegra. Em mais uma transmissão recheada de falhas, desde um inocente vazamento de áudio de Mariana Becker que sairia para um xixi, até um Luís Roberto de Múcio perdido sem saber que duas Spice Girls estavam na pista, a volta do pódio foi um alento para os fãs. Quem gosta de Fórmula 1, agradece!15

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *