Novo líder, velho drama

CASSIO BIDA

Uma hora ou outra iria acontecer. A liderança do mundial mudou de mãos. Se lá no início da temporada eu dizia que era difícil tomarem o título de Nico Rosberg, neste momento podemos dizer que a ameaça existe, é real e atende pelo nome de Lewis Hamilton.

Cedo ou tarde, o tricampeão iria reagir. E a reação veio a cada passo, a cada Grande Prêmio. Desde a Espanha Rosberg não se encontrou mais. Perdeu espaço, tropeçou nos próprios erros, se desequilibrou. Desde Baku não venceu mais. E nas disputas de pista, nos momentos decisivos, sucumbiu à pressão. Algo inaceitável para quem deseja ser campeão mundial.

De confortáveis e administráveis 43 pontos de liderança, agora são 6 pontos de desvantagem. Em vitórias, 5 a 4 para Hamilton. O momento é todo do inglês que, na temporada europeia, reina absoluto. E pode entrar nas férias com a tranquilidade de quem lidera o campeonato.

Ainda estamos na metade do caminho. Restam 10 provas. É muita corrida, muito asfalto, muito mundo para ser percorrido. Mas de acordo com a caminhada atual, diria que é mais fácil cravar o tetracampeonato de Hamilton do que um título inédito para Rosberg.

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A fama de GP mais chato do ano, mais uma vez, se confirmou. Em Hungaroring é assim: ou chove, ou acontece algo sobrenatural, ou é uma corrida praticamente em fila indiana com alterações de posições nas estratégias de boxes. Só. Simples assim.

O único momento de maior emoção foi a briga entre Verstappen e Raikkonen. Sim, esses dois sempre que se encontram aprontam grandes duelos. E com o holandês levando a melhor em todas elas até agora.

Desde que chegou à Red Bull, Verstappen tem mostrado uma habilidade preciosa: a de não se abater quando pressionado. Por 13 voltas, segurou o ímpeto de Raikkonen, que estava de pneus supermacios. É bem verdade que o traçado húngaro ajuda, mas o talento também conta.

O holandês mostrou, em duas oportunidades, uma frieza rara. Conseguiu segurar o campeão de 2007 na unha e, mais uma vez, fez o que se esperava dele. Não conseguiu chegar ao pódio. Teve outro desempenho digno de nota e faz, cada vez mais, Helmutt Marko ter certeza de que a troca após o GP da Rússia não foi em vão. Esse moleque ainda vai dar muito trabalho.

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Outra corrida dos brasileiros. Outra nota de rodapé. Massa bateu no treino oficial. Quase não foi para a corrida por causa de problemas na direção. Pista quase impossível de ultrapassar + estratégia equivocada = 18º lugar. Nasr fez o que pôde com a Sauber, terminou uma posição à frente do compatriota. 30 anos depois, outra dobradinha. Só que 16 posições atrás.

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