O tour dos sonhos começou?

nicole

Passamos da primeira metade do tour. O campeonato mundial de surf chegou às terras africanas, Jeffreys Bay é o cenário da próxima etapa do mundial que tem previsão de início na madrugada dessa quarta feita aqui no Brasil. A janela da competição começa no dia 6 e termina no dia 17 de julho. A previsão de ondas é animadora, logo no primeiro dia é esperado um swell grande. Nos dias seguintes apesar de abaixarem, as ondas ainda mantêm um bom tamanho.

No ano de 2015, Jbay ficou marcada pelo incidente envolvendo o australiano Mick Fanning e o encontro com um tubarão durante a realização da final da etapa. Muitos apostaram na exclusão da etapa do tour, no entanto foi mantida e algumas medidas de segurança extra foram tomadas, como por exemplo, sensores que captam a presença do animal. No entanto esses sensores funcionaram apenas durantes as baterias, o que coloca em debate a questão dos surfistas profissionais treinarem em horários alternativos onde não terão essa segurança. O brasileiro Miguel Pupo foi um dos surfistas que questionou essa decisão, alegando insegurança na hora dos treinos, apontado que a WSL não se preocupa com a integridade dos profissionais e apenas tomaram essas medidas para que nenhuma tragédia ocorresse ao vivo.

Antes de chegarmos à Jbay, longas ondas foram surfadas em outros continentes e ambientes. Há quem diga que o tour estava chato. Os brasileiros estavam ganhando pouco destaque, já que apenas Ítalo Ferreira e Caio Ibelli eram os únicos com ótimos resultados.

Gabriel Medina estava fazendo o café com leite na perna australiana, mesmo assim chegou ao Rio de Janeiro como um dos favoritos. Deu show. Completou o primeiro back flip da história em um campeonato profissional. A nota? Um dez unanime dos juízes. O postinho na Barra da Tijuca foi ao delírio. Se não bastasse uma única apresentação incrível, chegou até a semifinal contra o australiano Jack Freestone. Foi quase impecável, mas não deu para o brasileiro. O Aussie enfrentou na final o surfista mais simpático da etapa, John John Florence. Em ondas pesadas do Postinho, o havaiano beirou a perfeição, seu somatório na final chegou a 18,97 pontos dos 20 possíveis. A etapa só teve os primeiros rounds realizados na praia de Grumari, sendo transferida para o Postinho, como já esperávamos.

A etapa do Rio de Janeiro abriu as portas para novas arrancadas. Até a passagem do tour por nosso território, apenas um brasileiro marcava presença no Top5 do ranking. Cenário totalmente diferente do atual após a etapa de Fiji. Nessa quinta etapa do tour vale ressaltar dois grandes nomes, primeiro Kelly Slater, que conhece a bancada de Fiji como o quintal de sua casa, e o segundo é Gabriel Medina. Incansavelmente falaremos do campeão mundial de 2014.

Desde sua arrancada, na mesma baía de Jeffreys Bay, em 2015, Medina vem se aprimorando e melhorando. Seu surf está mais impecável do que nunca, seu espirito competitivo mostra que tem tudo para ser um dos maiores vencedores da história do surf. Em Fiji não foi diferente, o roteiro escrito desenhava para uma vitória sem questionamentos por parte do brasileiro. A sonhada final contra John John não aconteceu novamente, já que o havaiano perdeu na semifinal para Matt Wilkinson. Mas para conseguir a vitória sobre o seu parceiro de equipe na final, Gabriel precisou passar por ninguém mais que Slater, que fazia até o momento um campeonato exemplar como a muito tempo não se via. Gabriel venceu na tática e na estratégia, marcou e bloqueou o americano na hora certa, mostrando novamente que não está para brincadeira. Na final, Wilko não tinha a menor chance.

A bateria foi só uma forma de cumprir tabela. Com os resultados de Fiji, Gabriel chegou ao segundo lugar, atrás apenas de Wilko. Logo atrás temos John John em terceiro lugar, Ítalo Ferreira em quarto e Adriano de Souza em quinto. Parece que tudo está voltando ao “normal” e que finalmente o tour dos sonhos começou.

Muitos nomes se destacam quando pensamos em favoritos para a etapa. Mick Fanning, Kelly Slater precisam de bons resultados para se afastar da zona de reclassificação, enquanto Adriano de Souza, Julian Wilson, Jordy Smith precisam pontuar bem para não deixar Wilko, Medina e John John se distanciarem ainda mais no topo do ranking. Gabriel, Mick e Slater já estão garantidos no meu fantasy, e vocês? Apostam em quem? Dessa vez o vencedor não deverá ser um tubarão.

 Confira as baterias do round 1:

1: Mick Fanning (AUS) x Conner Coffin (EUA) x Alejo Muniz (BRA)
2: Italo Ferreira (BRA) x Miguel Pupo (BRA) x Ryan Callinan (AUS)
3: John John Florence (HAV) x Kanoa Igarashi (EUA) x Keanu Asing (HAV)
4: Adriano de Souza (BRA) x Josh Kerr (AUS) x Kai Otton (AUS)
5: Gabriel Medina (BRA) x Dusty Payne (HAV) x Alex Ribeiro (BRA)
6: Matt Wilkinson (AUS) x Davey Cathels (AUS) x Steven Sawyer (AFS)
7: Filipe Toledo (BRA) x Kelly Slater (EUA) x Matt Banting (AUS)
8: Adrian Buchan (AUS) x Kolohe Andino (EUA) x Jadson Andre (BRA)
9: Jordy Smith (AFS) x Wiggolly Dantas (BRA) x Adam Melling (AUS)
10: Caio Ibelli (BRA) x Joel Parkinson (AUS) x Jeremy Flores (FRA)
11: Julian Wilson (AUS) x Nat Young (EUA) x Jack Freestone (AUS)
12: Sebastian Zietz (HAV) x Michel Bourez (TAH) x Stuart Kennedy (AUS)

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