Vendo, troco e financio. Tratar aqui

CASSIO BIDA

Parece que, nesta semana, a Fórmula 1 saiu do foco esportivo, já que estamos prestes a mais uma dobradinha de corridas, e entrou no mercado de classificados. Sim, pois duas notícias envolvendo negócios milionários puseram a categoria em outras páginas.

A primeira foi, de certo modo, uma boa notícia. A simpática equipe Sauber foi vendida para um conglomerado bancário suíço. Com a transação efetivada, o drama que a equipe viveu nesta temporada, com atrasos salariais e falta de desenvolvimento do carro, deve ser, pelo menos neste ano, atenuado.

A operação realizada esta semana é uma medida que deve ter os resultados apenas a longo prazo. Com isso, Peter Sauber garantiu sua aposentadoria e Felipe Nasr passa a ter uma opção para continuar na equipe no ano que vem. O time suíço, que está na Fórmula 1 desde 1993, revelou grandes nomes para a categoria (entre eles: Kimi Raikkonen, Nick Heidfeld, Robert Kubica, Felipe Massa, Heinz-Herald Frentzen) além de ser a equipe que marcou o retorno dos motores Mercedes à Fórmula 1.

Esperamos que a Sauber tenha vida longa e volte, o quanto antes, aos seus dias gloriosos, incomodando as grandes, beliscando alguns pontinhos e, quem sabe, brigando por pódios. Se antes a limitação era financeira, agora dinheiro não deve ser problema.

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A segunda notícia da seção de classificados foi um boato que ganhou força na mídia especializada. A Apple, gigante do mercado de computadores e smartphones, teria feito uma proposta ao “Tio Bernie” para comprar os direitos da Fórmula 1 em uma transação bilionária.

Nem a CVC (não aquela CVC), acionista majoritária da categoria, nem a Apple confirmam as negociações. E, sinceramente, não vejo espaço para uma gigante da tecnologia assumir as operações da categoria.

Fala-se que a Apple estaria investindo num modelo de carro elétrico a ser lançado em 2020 e que a F1 seria um ótimo laboratório para o empreendimento. Outra especulação seria a ampliação da plataforma Apple TV que passaria a transmitir as corridas ao vivo via streaming de forma gratuita para quem comprasse o dispositivo.

Toda modernização na Fórmula 1 é bem vinda. Mas em se tratando de negociação de direitos de exploração da categoria a simples mudança de controle acionário é, no momento, pouco provável. E não é uma operação que vai se dar do dia para a noite.

“Tio Bernie” não gosta de perder dinheiro, vide o acordo milionário assinado há pouco tempo com a Heineken. Se a venda se concretizar, pode ter certeza, será para algo muito rentável.

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Sobre segurança e automobilismo uma grande polêmica circulou esta semana. As duas últimas corridas com chuva, Mônaco e Silverstone, tiveram a largada com o Safety Car pelo mesmo motivo: segurança. Ou, na minha humilde ótica, excesso de zelo e precaução.

Pois bem, na Fórmula 3, na rodada tripla de Zandvoort, um trator entrou na pista para retirar o carro de um piloto que havia batido numa curva rápida. Safety Car? Interrupção da prova? Nada disso! Apenas bandeiras amarelas no local do acidente.

Não custa lembrar que, há quase dois anos atrás, foi uma situação destas que acabou causando a morte do francês Jules Bianchi. Parece que os dirigentes não aprenderam nada com a lição de mais uma morte nas pistas. Lamentável!

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E abrindo a dobradinha das próximas duas semanas, o circuito mais chato da temporada. E, de forma incrível, um dos mais longevos. Desde 1986, de forma ininterrupta, Hungaroring faz parte do circo da categoria mais famosa do automobilismo.

A inclusão da Hungria, que na época fazia parte da chamada “Cortina de Ferro”, foi uma tacada de mestre do “Tio Bernie”. E deu tão certo que até hoje é uma das pistas que, entra ano, sai ano, não é ameaçada de sair do calendário.

Uma pista que deu certo para o Brasil. Tão certo que as primeiras três vitórias em solo húngaro são brasileiras. Nelson Piquet venceu as duas primeiras edições em 1986 e 1987. Ayrton Senna venceu a primeira dele por lá no ano seguinte, voltando a ganhar em 1991 e 1992. Rubens Barrichello também entra na seleta galeria de vencedores do traçado travado.

Apesar dos seus defeitos, Hungaroring registrou o que foi, para muitos, uma das maiores ultrapassagens da história da Fórmula 1. O dia em que Piquet, de lado, deixou Senna para trás e partiu para mais uma vitória. Em uma corrida que terminou no limite das duas horas.

E a pista, geralmente, costuma ser um problema para as equipes que “mandam” na Fórmula 1. Não por acaso, a Mercedes, grande vencedora da categoria nos dois últimos anos, tem justamente em Hungaroring seu grande “calcanhar de Aquiles”. Até agora, desde o início de seu domínio, não venceu em solo magiar.

Em 2014, deu Ricciardo de Red Bull. Ano passado, Vettel venceu com a Ferrari. Este ano, a se repetir o que foi visto em Mônaco, novamente o time austríaco deve ser a grande ameaça. Será um final de semana daqueles que pode acabar com um novo líder.

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