Vitória de Jordy Smith não ofusca polemicas do Hurley Pro Trestles

nicole
Imagem: Divulgação/WSL

Nascido na África do Sul, mas residente de San Clemente, na Califórnia, Jordy Smith voltou a vencer a etapa de Trestles, o famigerado Hurley Pro.  Nas semifinais o sul-africano venceu o “homem a ser batido”, Filipe Toledo. Mesmo com o brasileiro abrindo a bateria com um aéreo incrível, o campeão soube como reagir com duas ondas para a direita, arrancando dos juízes duas notas excelentes, um 8.00 e um – overscore– 9.23.

A derrota de Filipe o deixou em terceiro lugar da etapa, enquanto Jordy avançou para encontrar o australiano Joel Parkinson na grande final. Joel venceu por diferença de 0.10 o local Tanner Gudauskas, aquele que venceu o Gabriel Medina com uma ajudinha dos juízes da WSL. Na decisão, não deu para Parko. Jordy familiarizado com as ondas do quintal de casa, somou 15.80 pontos, contra 15.36 de Joel. Parabéns ao Jordy Smith que no meio de tanta confusão nos bastidores do campeonato, foi o campeão de forma incontestável.

O resultado do Hurley Pro, pouco será lembrado perto das polemicas do campeonato. O que realmente precisa ficar de lição para a etapa californiana do tour, são os erros dos juízes, a ditadura oculta da WSL e as famosas teorias da conspiração. Todos esses fatores serão incansavelmente debatidos até o final do WCT. Podendo manchar o possível título do havaiano John John Florence. – Ou seria do 12º título da lenda Kelly Slater?

Os comentários nos bastidores antes do início do campeonato, infelizmente já eram os juízes. Esses que supostamente teriam alertado que não iriam dar boas notas para o surf progressivo. Estaria aí um indicio de que barrariam os brasileiros.  Podemos aqui fazer uma lista de surfistas prejudicados durante o Hurley Pro. Todos esses caíram antes do término do round 3. Alejo Muniz, Matt Wilkossn, Julian Wilson, Wiggolly Dantas e o Gabriel Medina.  O último sendo de forma ainda mais polemica. Precisando de 8,34 para virar contra o local, Gabriel destruiu uma onda com sete batidas, a melhor onda da bateria, no mínimo um 9, mas não para os juízes que computaram apenas 8.3 pontos.  Mas vamos voltar no tempo, mas não muito. Podemos ficar apenas no ano de 2016.

Quantas vezes um atleta seria capaz de aguentar a sangue frio, sem falar nada, ser prejudicado? Gabriel Medina aguentou até demais. Ele cansou só agora de algo que nós falamos há muito tempo. Das oito etapas que aconteceram até aqui, o brasileiro foi prejudicado em cinco delas, foi campeão em uma e duas não temos do que reclamar. Gold Coast, Rio Pro, JBay, Tahiti e agora Trestles, mas com um diferencial, agora os gringos enxergaram o mesmo que a gente. Eles falam que temos complexo de vira-lata. Que gostamos das teorias da conspiração, mas dessa vez até eles ficaram do nosso lado.

Mas o que estaria a WSL fazendo, indagou Tulio Brandão em seu texto War, após a garfada de Medina. Ele mesmo respondeu e estou totalmente de acordo:  “O que a WSL está fazendo é enterrar, com erros grosseiros, uma potência esportiva rara, que em condições naturais seria um multicampeão mundial. O que a WSL está fazendo é expor ao risco a imagem das gigantes que bancam o esporte, como a Samsung, empresa que tem feito um excelente trabalho de patrocínio, com milhões em jogo. O que a WSL está fazendo, em outras palavras, é dar um tiro de fuzil no próprio pé.”

Mas não é só isso, os fãs do esporte começaram a perceber que poderia o surf estar se tornando um jogo de interesses, similar o que acontece com o futebol, e que a intocável entidade WSL chegaria a envergonhar até mesmo a CBF. Imagine Neymar ou Gabriel Jesus denunciando em suas redes sociais um escândalo envolvendo a seleção brasileira? Foi aí que a WSL começou a errar. Julian Wilson, o protegido, a diva, o favorito também foi prejudicado, e decidiu que iria falar. Falou. Trouxe com ele Wilko e Jeremy Flores que já havia cansado de alertar sobre os erros dos juízes, e não perdeu a oportunidade de dizer “eu avisei”. Despertando uma onda de revolta contra a WSL.

Complemento o que o Tulio Brandão quis dizer. A WSL quer, ou pelo menos queria que seus atletas ficassem calados diante das polemicas. Grandes nomes falaram e questionaram a entidade, ignorando totalmente a possível punição em contrato que prevê multa de $1.000 a $50.000 por declarações de possam denegrir a imagem da entidade ou do esporte.  O que vai acontecer daqui para frente, ninguém sabe. Se os atletas serão multados ou não, é uma incógnita. Gabriel levou um cartão amarelo em 2015 após – mais uma polemica – interferência na bateria com o Glenn Hall, possivelmente se conteve para não levar mais uma advertência. Mas nós compramos a briga por ele e gritamos e gritaremos aos quatro ventos: WORLD SHAME LEAGUE.

Convenhamos que estamos – eu e meus colegas que comentamos o WCT pelo Twitter – achando esse tour bem chato, poucos são os campeonatos que realmente empolgam. E não, não é porque os brasileiros não estão se destacando. Até porque temos na briga do título, Gabriel. Sem se distanciar muito, Adriano de Souza, Italo Ferreira, Caio Ibelli, Filipe Toledo. O problema é que está chato sim, os calls estão sendo péssimos, e os campeões não empolgam. Eu não via o mundo do surf tão agitado desde a final de Pipeline, onde o Mineirinho se sagrou campeão.

 

E sobre as teorias da conspiração? A WSL deixa claro que não quer um tricampeonato brasileiro. Farão de tudo para um título de John John, mesmo que nem esse se ajude. Estão mantendo Kelly por perto, caso o plano A não dê certo.

 

Até a França!

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