Como meu ódio por Tom Brady se transformou em admiração

Por: Alex Biega

Glendale, Arizona.  1 de fevereiro de 2015. SuperBowl XLIX. 21 segundos restantes e uma diferença de 4 pontos no placar. Russell Wilson estava a uma jarda do bicampeonato dos Seahawks. Ele lança a bola na direção de Ricardo Lockett e é interceptado dentro da end zone por Malcolm Butler. New England Patriots campeões do mundo pela quarta vez!

Sozinho em um quarto de hotel e torcedor doente do time de Seattle, eu contemplava boquiaberto  a maior jogada que já havia visto em um decisão do futebol americano. Não sei bem o que sentia naquele momento. Somente uma emoção era certa: o ódio que sentia por Tom Brady por derrotar o meu time de coração.

O fato de terem vencido duas semanas antes o Indianapolis Colts na final de conferência e a suspeita que Brady usara bolas murchas para avançarem ao SuperBowl  daquele ano não era das notícias mais bonitas e éticas para serem  apreciadas pelos que acompanhavam a bola oval em 2014/15. Juntou-se a isso o desempenho de Tom Brady contra Seattle, em Glendale, quando o quarterback de New England passou para 328 jardas e anotou 4 TDS, despachando o time da costa noroeste dos Estados Unidos em pleno SuperBowl.

Dois anos se passaram. O palco era outro: Houston, Texas. O sentimento de ódio era o mesmo.

Depois de um primeiro tempo perfeito, os Falcons lideravam o placar por 21×3 contra os Patriots. Matt Ryan e Devonta Freeman estavam em modo on fire. Grady Jarret havia sacado Brady duas vezes. Era de se esperar um segundo tempo parado, sem emoção, ou como os americanos chamam,o Garbage Time. Atlanta campeão pela primeira vez do SuperBowl… Mas não dá pra afirmar isso quando a franquia adversária em campo é a de New England.

Dito e feito!  Em um segundo tempo praticamente sem erros, os Pats empataram o jogo em 28×28 e viraram para 36×28 no Over Time, ganhando o SuperBowl pela quinta vez em 16 anos, ato que poucos que acompanhavam o jogo custaram a acreditar.

Tom Brady se tornava MVP de um SB pela quarta vez em sua carreira, despachando Joe Montana (3), e levava seu quinto anel para casa. Outra vez, uma performance incrível: 466 jardas, 66 tentativas, 42 passes completos e 2 TDs. O maior desempenho de um Quarterback em uma final do futebol americano!

 

Do nada até o sucesso completo

Brady iniciou sua história no College Football atuando na Universidade de Michigan. Durante seus dois primeiros anos na universidade, ficou oscilando entre a segunda e a  sétima posição no elenco dos Wolverines, até que ganhou sua chance em 1998. Em 2000, levou o time da região norte dos Estados Unidos ao título do Orange Bowl ao vencer a tradicional Faculdade de Alabama na prorrogação.

Brady foi a escolha 199 do Draft de 2000. Precisou esperar 1 ano para ser o quarterback principal do time da Nova Inglaterra. A partir de 2001, seu reinado começou. E seus recordes também.

Dos inúmeros feitos pessoais que Brady têm na NFL, dois se destacam: Maior Vencedor do Super Bowl (5) e Jogador Mais Valioso do SuperBowl ( MVP: 4).

Brady é um atleta que dorme sempre antes das 21, salvo rara exceções. É um jogador tem uma dieta correta que segue há anos. Foi desprezado por 31 franquias da NFL. Era considerado lento e sem visão para analisar as defesas adversárias. Amargou a sétima posição de quarterback de Michigan e que precisou esperar 1 ano para ser titular em New England. De repente, se transformava em maior vencedor do SuperBowl.

O patinho feio, que naquela corrida de  2 jardas de James White para a end zone na prorrogação do SuperBowl LI, se transformou no melhor jogador de futebol americano de todos os tempos!

Em um clique, meu ódio por Tom Brady se transformou em admiração.

A ficha ainda não caiu.

Parabéns New England Patriots, campeões do SuperBowl LI!

Parabéns Thomas Edward Patrick Brady Jr, ou simplesmente, Tom Brady!

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