“A gente não sabe ainda qual é o atual cenário da música brasileira”, afirma Lenine

Por Maytê Ribeiro

Na última sexta-feira (26), o cantor Lenine apresentou a turnê Carbono no Teatro Positivo. Com mais de 30 anos de carreira, vencedor de cinco Grammy Latinos e mais de dez discos lançados, o pernambucano chega à capital promovendo uma mistura de estilos. Da viola pantaneira ao afro jazz, da valsa moderna ao frevo’n’ roll, o show de Lenine é um verdadeiro deleite aos olhos e ouvidos da legião de fãs que o acompanha no Brasil e mundo afora.

O CN conversou exclusivamente com o cantor que relembrou momentos da carreira, falou do novo cd e da atual conjuntura da música brasileira.

Conexão News – Você está preparando algo para o próximo CD ou está focado apenas nos shows?

Lenine – É muito vago pensar nisso, não sei o que pode acontecer amanhã, é uma penalidade falar do que será, prefiro falar do que já é e do presente.

CN – Como foi fazer uma turnê na Europa e se eles esperavam todo aquele reconhecimento do público de fora

Lenine – A França foi como um segundo país pra mim. Eu não esperava todo o reconhecimento que eu tive, na verdade eu só acreditei desde sempre que música não precisa de adjetivos, e acredito que uma consequência natural foi me aproximar das pessoas que pensam igual a mim e isso é planetário, no fundo o que eu faço é MPB (musica planetária brasileira).

CN – Qual foi a sensação de além de ser indicado para cinco Grammy ainda ganhar eles

Lenine – Eu acho muito bom ser indicado, mas bom mesmo é ganhar. Até por que se tratando de um trabalho que é muito coletivo, quando a gente ganha um prêmio, ele não é apenas meu, mas de toda a equipe, que conseguiram comigo essa conquista. Então é muito bom ganhar. É muito bacana porque reverte o trabalho de muitos. É uma conquista coletiva, pois todos que se envolveram nessa caminhada estão ali sendo reverenciados na hora do prêmio.

CN – Da onde surgiu a ideia do nome CARBONO para essa turnê?

Lenine – Eu sou um colecionador de palavras, eu tenho essa ligação profunda com a nossa língua. Acho realmente que a língua brasileira, que é o português falado aqui, ele tem uma amplitude, um relevo sonoro que língua nenhuma tem e carbono já estava na minha coleção há muito tempo porque eu estudei engenharia química. Então ele estava ali não apenas porque é a base da vida como conhecemos, mas por uma característica que ele tem como elemento que é a ligação, ele consegue se envolver com coisas gerando novas coisas e isso de alguma maneira eu acho que me define.

CN – Tem alguém com quem você tem vontade de gravar?

Lenine – Ainda tem muita gente com quem eu quero trabalhar, mas sempre que surge alguma coisa que me comove, que me toca, eu me aproximo. Eu acredito nesse poder de transformação e aproximação que a música tem. Então tem muita gente pra gravar ainda.

CN – Nos anos 80 você desembarcou no RJ com músicas de raízes nordestinas em um cenário dominado pelo rock nacional. Como foi essa época?

Lenine – Foi muito difícil, eu cheguei em 80 e eu só fui reconhecido pelo meu trabalho como músico dez anos depois, foram dez anos constatando que a turma do rock achava que eu era muito MPB, e a turma da MPB achava que eu era muito rock. Aí eu fui aceito pelo samba. Então isso também talvez recite muito essa condição meio cosmopolita que meu trabalho tem. Eu frequento qualquer lugar sem nenhum tipo de preconceito.

CN – Quais foram as suas maiores influências do início da carreira?

Lenine – Zepellin, The Police e Milton Nascimento.

CN – O que acha do atual cenário da musica brasileira?

Lenine – Bom, a gente não sabe ainda qual é o atual cenário da música brasileira porque a música nesse universo digital ela está sofrendo certa invisibilidade. É muito difícil as pessoas chamarem atenção para o que faz e é muito fácil falar e fazer hoje em dia, porque a tecnologia digital também democratizou o processo, mas gerou uma invisibilidade. É muito difícil saber quem realmente de fato faz a música contemporânea brasileira hoje, vai ter que ralar muito e saber procurar.

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