Há 20 anos Guga herdava o trono de ídolo nacional deixado por Ayrton Senna

Danilo

Às vezes uma curva pode mudar o destino. Às vezes um ídolo nacional se vai e o país fica órfão, fica sem ter por quem torcer. A pátria amada fica desamparada. Cadê as alegrias? Onde está a idolatria nacional? O amor e a devoção brasileira por esporte fica adormecida. Vamos ser sinceros, teve o tetra em 94 –  após a morte de Senna, apesar da emoção dos pênaltis, foi apenas um momento que ergueu a paixão nacional. Foi um título coletivo, nenhum atleta tinha o carisma para assumir o posto deixado por Senna. O Brasil continuaria sem um ídolo atual para chamar de seu.

Tudo começaria a mudar um pouco longe das terras brasileiras, seria em Paris que um novo ídolo nacional começava a surgir, com uma história que parecia ter sido retirada de um conto de fadas. Há 20 anos atrás, um tenista franzino, de roupas coloridas e sem muita expressão no ranking da ATP vencia um dos quatro maiores torneios do tênis desbancando uma série de favoritos. Era em solo francês, no sagrado saibro de Roland Garros que Gustavo Kuerten começou a aparecer para o Brasil e o mundo.

As comparações com Senna eram inevitáveis. Novamente o Brasil voltou a ser o centro do esporte mundial sem que fosse pelo futebol. Novamente o Brasil tinha um atleta que carregava as cores da bandeira, de novo o país tinha por quem se orgulhar. As capas de jornais estampavam aquele rosto desconhecido que logo virou símbolo de uma geração. Muitos atletas tentaram entrar no hall da fama e idolatria no esporte nacional, mas poucos conseguiram.

Senna foi aquele que conseguiu sem jogar futebol cair nas graças do povo brasileiro. Acordar no domingo de manhã para ver as corridas de Fórmula 1 se tornou um prazer. Ver suas exibições na pista era um prazer que todo brasileiro tinha, até que naquele 1º de maio de 1994, na sétima volta do GP de Ímola, a curva Tamburello levou para sempre Senna. Eternizou um ídolo, um craque, camisa 10 podemos dizer. Eternizou as frases, o patriotismo, o amor pelo Brasil. Seu enterro foi de comoção hollywodiana, a tristeza que tomou conta do Brasil foi imensa. Junto com ele o trono de ídolo do Brasil ficava vago. Sua morte abriu espaço para novos donos tomarem conta, Senna não teve a oportunidade de passar o bastão em vida para alguém, coube a morte fazer esse trabalho. Senna sempre será ídolo do país, mas precisávamos de alguém para seguir fazendo a história brasileira ser contata ao mundo.

E o trono começou a ser ocupado por Guga, quando na Philippe Chatrier, no dia 8 de junho de 1997, aquele garoto franzino de roupas coloridas e boné venceu a decisão contra Sergi Bruguera por 3 sets a 0.  Se tornando o primeiro brasileiro a conquistar o título de Roland Garros. Antes do Grand Slam francês, o garoto de Floripa havia vencido o seu primeiro Challenger em Curitiba. Era o número 66 do ranking da ATP, chegou em Paris como figurante, foi ganhando notoriedade ao ir batendo em grandes nomes do circuito, até chegar na final como a grande zebra da história do torneio. A vida de Guga mudou da noite para o dia, de desconhecido passou a ser ídolo nacional, passou a ocupar a lacuna deixada por Senna no esporte brasileiro. Logo Senna, seu ídolo, o cara que poderia ter conhecido e que não foi possível por uma semana. Guga relata em sua biografia que conheceria Ayrton Senna na semana seguinte ao fatídico GP de Ímola.

Guga após vencer Roland Garros se tornou herói nacional, aos 20 anos o garoto viu sua vida e de sua família mudar. Entrou pro seleto hall de ídolos do esporte brasileiro e reina até hoje com seu carisma e amor pela pátria. É sem dúvidas um ícone, um símbolo. Infelizmente teve uma curta carreira por problemas físicos, mas nada que apague sua trajetória brilhante, sempre com seu estilo despojado, seu jeito moleque e surfista, seu sorriso contagiante no rosto que faz com que todo brasileiro cite Guga quando questionado quem é o maior nome do esporte brasileiro ainda vivo. Na história do esporte nacional talvez só esteja atrás de Pelé e Senna em idolatria. No carisma vence do Rei do futebol de 7×1.

Tamanho carisma que fez Guga ser um dos escolhidos para ser condutor da Tocha Olímpica no Maracanã, e por muito tempo foi apontado como o favorito da torcida para ascender a pira. Você tem dúvidas que ele ocupou a cadeira deixada por Senna? Eu não tenho. Gustavo Kuerten, o garoto de rosto desconhecido que venceu Roland Garros e conquistou o coração do Brasil e do mundo. Guga para os íntimos, que é até hoje sinônimo de sucesso. O maior tenista do esporte brasileiro e ainda o maior ídolo esportivo do país.

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