Cinco grandes rivalidades da Fórmula 1

CASSIO BIDA

Domingo teremos o Grande Prêmio da Hungria de Fórmula 1. Mais um capítulo na disputa entre Sebastian Vettel da Ferrari e Lewis Hamilton da Mercedes. Rivalidade que, desde o incidente nas ruas de Baku, fica cada vez mais intensa.

Pensando no duelo pelo campeonato de 2017, um dos mais quentes nos últimos anos entre dois pilotos de equipes diferentes, resolvemos relembrar cinco das maiores rivalidades que a Fórmula 1 vivenciou em sua gloriosa história.

1) O metódico x O playboy

É verdade que ao longo das primeiras décadas a Fórmula 1 teve diversas disputas entre grandes nomes. Mas a primeira rivalidade realmente marcante foi a que envolveu dois pilotos de perfis completamente opostos.

De um lado, Andreas Nikolaus Lauda. Um austríaco esforçado, metódico, que lutou contra muita gente para ocupar sua vaga na Fórmula 1. Do outro, James Simon Wallis Hunt. Britânico excêntrico e mulherengo. Um autêntico bon vivant.

O auge da rivalidade entre Lauda e Hunt aconteceu em 1976. O austríaco, campeão mundial com a Ferrari no ano anterior, estava tinindo no mundial e começou abrindo uma vantagem espetacular. O piloto inglês, contratado para substituir Emerson Fittipaldi na McLaren, vinha com um desempenho razoável, mas sem ameaçar o que pareceria um bicampeonato tranquilo para Lauda.

Até que veio o GP da Alemanha no antigo traçado de Nurburgring. Um acidente terrível quase tirou a vida do piloto da Ferrari. Muitos acreditaram que Lauda não escaparia com vida. Mas o austríaco foi mais forte. Com uma recuperação impressionante, chegou à última prova no Japão ainda com chances de título.

Com a chuva forte caindo em Fuji, Lauda abandonou a corrida na primeira volta por conta das condições da pista. Hunt só precisava chegar em terceiro para garantir o título. E o inglês não desperdiçou a chance.

Curiosamente, após a rivalidade intensa, Lauda e Hunt tornaram-se grandes amigos e curtiram bons momentos até a morte de Hunt em 1993. A grande rivalidade entre os dois é contada no filme Rush – No limite da emoção.

2) O leão x O sacana

O segredo do sucesso de uma grande equipe, além do trabalho de todos os profissionais, passa por ter uma excelente dupla de pilotos. Não por acaso, equipes se fortaleceram com grandes duplas.

Mas e quando, mesmo com uma dupla espetacular no cockpit, os dois pilotos botam tudo a perder? Foi isso que aconteceu em 1986 quando Nigel Mansell e Nelson Piquet dividiram sua primeira temporada na Williams.

Ambos chegaram à Austrália com condição de serem campeões. Mansell liderava o mundial e Piquet era o segundo. Um estouro no pneu traseiro direito acabou com as chances do Leão. A equipe, preocupada, chamou Piquet para trocar os pneus. A troca acabou com as chances do tricampeonato para o brasileiro. Melhor para Alain Prost que conquistou o segundo dos seus quatro títulos mundiais.

Um pequeno resumo daquele final de temporada você assiste aqui:

Apesar da dureza nas pistas, Piquet não perdia a chance de “passar a perna” de um jeito bem sacana no companheiro de equipe e rival. Uma das histórias mais celébres foi quando o brasileiro percebeu que o companheiro de equipe estava passando mal. Malandro, Piquet tirou o papel higiênico do banheiro e deixou o leão em maus lençóis para se limpar.

Mas a melhor de todas foi quando Piquet explicou quais eram as principais diferenças entre ele e Mansell: “Primeiro: ele joga golfe, eu jogo tênis. Segundo: ele gosta de mulher feia, eu gosto de mulher bonita. Terceiro: eu ganhei três campeonatos do mundo e ele perdeu três”.

Confira aqui esta e outras pérolas de Nelson Piquet:

3) O professor x O rei da chuva

Ainda não sei como não criaram um filme sobre esta rivalidade. Até porque, o que aconteceu entre os anos de 1988 e 1990 entre Alain Prost e Ayrton Senna, nem o mais criativo roteirista seria capaz de escrever.

Foram três anos de intensa rivalidade entre ambos. Quando foram companheiros de equipe nos dois primeiros, ambos levaram a McLaren a um domínio impressionante. Só ficaram de fora da vitória em 1988 apenas no Grande Prêmio da Itália. Em 1989 a decisão do título ficou, outra vez, entre os dois. No ano seguinte, com Prost na Ferrari, a disputa continuou acirrada.

Em comum: o Japão como cenário das decisões. Em 1988, com uma corrida de recuperação épica, Senna conquistava seu primeiro título. No ano seguinte, em uma colisão controversa, Prost levou a melhor com a desclassificação do brasileiro ao final da corrida. Em 1990, Senna deu o troco ao tirar ele e Prost na primeira curva garantindo assim o bicampeonato.

Os dois ainda dariam um último ato de grandes disputas em 1993, ano do tetra do francês e da última temporada completa do brasileiro. Prost abandonaria as pistas ao final do campeonato. Senna, menos de seis meses depois da vitória na Austrália, deixaria o mundo após o acidente em Ímola.

4) O gênio espanhol x A revelação precoce

A impressão é que faz mais tempo, mas foi apenas há dez anos que Lewis Hamilton estreou na Fórmula 1 pela McLaren. E logo em sua primeira temporada ele teve um osso duro como companheiro de equipe: o então dono dos dois títulos mundiais anteriores, Fernando Alonso.

A McLaren esperava reeditar o sucesso de outras épocas quando dominou o circuito mundial. O que tinha tudo para ser uma parceria de sucesso, no entanto, acabou virando uma tremenda dor de cabeça para Ron Dennis e a cúpula da equipe.

O ápice da crise de relacionamento aconteceu justamente na Hungria. Nos últimos minutos da classificação, Fernando Alonso segurou, de forma proposital, o companheiro nos boxes. O espanhol foi punido com a perda de cinco posições no grid e viu, de longe, Hamilton terminar com a vitória.

No final daquele ano, ainda mais prejuízos ao time inglês: a exclusão do mundial de construtores por conta das acusações de espionagem contra a Ferrari e a perda do título de pilotos na última prova para Kimi Raikkonen. Desde então, apesar de Hamilton conquistar o mundial de pilotos no ano seguinte, a McLaren nunca mais foi a mesma.

5) Os bons companheiros – só que não

O duelo mais recente só foi possível graças à hegemonia da Mercedes na Fórmula 1. Mas a rivalidade entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg já vinha desde a época do kart.

Lewis Hamilton foi apadrinhado pela McLaren e teve a sorte de começar a carreira logo em uma grande equipe. Já Nico Rosberg teve que cavar seu espaço em uma Williams que já ensaiava passos para uma época decadente.

Entre idas e vindas, ambos voltaram a se encontrar na Mercedes em 2013. Mas só no ano seguinte, devido à era de motores turbo e híbridos, que as flechas prateadas alemãs passaram a levar uma vantagem maior em relação à concorrência.

Foram três títulos disputados diretamente entre os dois. Hamilton levou a melhor em 2014 e 2015. No ano passado, Rosberg se consagrou como campeão mundial e surpreendeu a todos quando anunciou a aposentadoria das pistas no auge, com apenas 32 anos.

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