Que venham as próximas

CASSIO BIDA

Meu último contato mais intenso com o jornalismo esportivo, vivendo o dia a dia de competições e eventos, havia sido no distante ano de 2010. Na época, vivia meu último ano na Universidade. Enquanto fazia o curso de jornalismo, assumia uma posição na Rádio Transamérica. Ao mesmo tempo, tentava equilibrar a elaboração do trabalho de conclusão de curso, trabalho no teleatendimento, família, vida afetiva, lazer… Sempre fui do tipo de pessoa que ou fazia uma coisa e fazia bem feito, ou fazia muitas e nenhuma delas saía legal. Nesse jogo de malabarismos uma coisa ou outra iria acabar quebrando. Entre elas, minha atuação profissional.

Quando estava na rádio líder de audiência, achei que estava vivendo um sonho. Mas a realidade veio com diversos socos duros. Muitos deles, abaixo da linha da cintura. No final, acabei frito pela frigideira quente da vaidade e pedi demissão da emissora. Uma saída pela porta dos fundos. Cabisbaixo, sem apoio, sem moral.

Achava que ali teria encerrado meu ciclo com o jornalismo. Peguei o diploma com alegria, mas sempre com aquela ponta de desilusão, tristeza e desencanto. E um bom tanto de frustração. Afinal, não havia cumprido de forma plena minha missão quando abracei a profissão de jornalista.
Por um curto período, colaborei na internet. Aqui mesmo no Conexão News tive uma passagem em 2016 cobrindo a Fórmula 1. Por uma série de questões pessoais, acabei saindo. Outra vez, de maneira tumultuada, triste. Achava que minha estrada como jornalista terminaria de vez.

Até que, no começo do ano, houve um reencontro. Um bate papo durante o trajeto de biarticulado e o convite para cobrir a Liga Mundial de Vôlei. Aceitei, mas sem muita confiança de que eu conseguiria credenciamento para a competição.

Quando peguei a credencial há uma semana atrás, não acreditei. Parecia que aquele menino de 24 anos, idade em que comecei o curso superior, renasceu. O brilho nos olhos voltou, além da vontade e compromisso de fazer bem feito. Foi com este espírito de renascimento que abracei a cobertura no Conexão News ao longo destes cinco dias. Um trabalho movimentado, intenso e, por vezes, desgastante. Em especial, na noite da decisão. Mas extremamente prazeroso e delicioso de fazer.

Poder acompanhar jogos de alto nível, conversar de igual para igual com atletas e profissionais de imprensa de vários cantos do mundo. Trocar uma ideia com pessoas que você só via pela televisão e perceber que eles são tão normais quanto qualquer um de nós. Além do calor da torcida, da animação do Fumaça, do atendimento atencioso de todos – desde a Daniele na orientação do público até a equipe da CBV e da FIVB. Todos estes momentos ficarão marcados na memória. Para sempre!

Principalmente o fato de ter dividido ele entre amigos. Alguns que já conhecia de outras parcerias, desde o tempo da universidade. Outros que conheci ao longo deste trabalho e que já carrego, desde já, no coração. Trabalhar com uma equipe onde todos estão unidos para fazer o melhor trabalho, crescendo juntos, é algo extremamente gratificante. E este é o melhor pagamento que existe, superando qualquer salário milionário.

Saio com duas sensações desta Liga Mundial. A primeira é a de missão cumprida. Tenho plena certeza que nosso objetivo, de levar informação de qualidade sobre uma das competições mais importantes do vôlei mundial a você leitor, foi plenamente cumprido. Nestes cinco dias todos os envolvidos trabalharam com carinho para levar a quem nos acompanhou tudo que aconteceu de mais importante na Arena da Baixada.

A segunda, e mais importante, é a de gratidão. Pela oportunidade de poder participar da minha primeira cobertura esportiva internacional. Pelo privilégio de poder fazer isto em um veículo independente, longe da grande mídia tradicional. Pelo reconhecimento que tivemos e só irá crescer cada vez mais. E, acima de tudo, pelo resgate da autoestima que havia se perdido desde aquela triste e meteórica passagem pelo universo do rádio.

Esta foi só a primeira cobertura que fiz para o Conexão News. E, como disse no último Conexão Liga Mundial, vem muito mais por aí. Tenham certeza! Afinal de contas, eu voltei!

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