Um ano da Rio-2016: o Brasil chora pelo desperdício olímpico

Danilo

No dia 21 de agosto de 2016 acontecia o encerramento dos Jogos Olímpicos Rio-2016. Hoje, dia 22 de agosto de 2017 vemos que passou um ano desde os dias que a cidade do Rio de Janeiro e o Brasil foram o centro do esporte mundial. Mas o que seria um ano? 365 dias, 12 meses, 52 semanas, 8.760 horas… pois bem, tudo isso, e o que mudou no esporte brasileiro nesse tempo todo? Acreditem meus caros leitores, pouca coisa mudou.

Um ano atrás vivemos o êxtase de estarmos imersos dentro de um Jogos Olímpicos. Vivemos o amor brasileiro pelo esporte. Pudemos ver grandes nomes surgirem para o esporte nacional, criamos novos ídolos, heróis. E o que mais? Mais nada. A infraestrutura deixada como “legado” para o esporte do país está às ruínas do tempo. Assim como aconteceu com as praças esportivas de outros grandes eventos que já passaram por aqui.

O Parque Olímpico da Barra da Tijuca é maravilhoso, um espaço enorme e com uma infraestrutura digna de primeiro mundo, para ninguém botar defeito. O mundo adorou, muito se falou do legado que aquele espaço deixaria para o esporte brasileiro, mas o que presenciamos atualmente são praças esportivas a mercê do tempo, do desgaste que a natureza causa.

Quatro das instalações estão sob administração do governo federal: as Arenas Cariocas 1 e 2, o Velódromo e o Centro Olímpico de Tênis. O restante está sendo administrado pelo município do Rio de Janeiro. Apenas eventos pontuais foram realizados no Parque Olímpico desde o encerramento da Rio-2016.

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O lema do Comitê Organizador era que seriam “os Jogos da transformação”, dessa forma, algumas instalações seriam reaproveitadas de outra maneira. A Prefeitura do Rio desenvolveu o conceito inovador de “Arquitetura Nômade”, construindo equipamentos provisórios que iriam ser transformados em legados permanentes em outros locais.

A Arena do Futuro, que recebeu a disputa de handebol, seria desmontada e transformada em quatro escolas municipais, cada uma com capacidade para 500 alunos. Três ficariam na região da Barra e Jacarepaguá e uma, em São Cristóvão. A desmontagem e transferência do material já deveria ter sido realizada, mas não ocorreu por falta de recursos da prefeitura da cidade do Rio de Janeiro.

A Autoridade de Governança do Legado (AGLO), vinculada ao Ministério do Esporte, está em busca de dinheiro para a manutenção dos equipamentos esportivos, orçamento para treinamento de atletas, competições esportivas e até realização de shows. Os responsáveis por tirar do papel o legado olímpico tentam o apoio da iniciativa privada, por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), que está sendo elaborada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), porém sem data para sair. Os espaços privados do Parque Olímpico estão sem uso e a espera de um comprador.

A Vila dos Atletas, local que foi a moradia dos milhares de atletas olímpicos e paralímpicos que desembarcaram na Cidade Maravilhosa para a disputadas da Rio-2016, custou R$ 2,5 bilhões de investimento privado e também sofre com o abandono e falta de interesse. Nem 50% dos apartamentos foram vendidos e os prédios estão sem moradores. A previsão é que apenas em 2018 a Vila dos Atletas comece a receber seus novos donos.

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Quase todas as estruturas utilizadas na Rio-2016 estão sofrendo com o abandono e falta de interesse público e privada. As estruturas que receberam investimento bilionários estão jogadas as traças e um jogo de empurra empurra entre Comitê Organizador Local, Prefeitura do Rio de Janeiro e Governo Federal.

Um dos grandes exemplos de abandono é o Complexo do Maracanã. Palco das cerimônias de abertura e encerramento, além das finais do futebol, o maior estádio do país está vivendo um impasse jurídico entre a Odebrecht e o governo estadual. Com custo de mais de R$ 1,2 bilhão aos cofres públicos, o estádio do Maracanã tem recebido poucas partidas de futebol e tem afugentado até a seleção brasileira, que optou por não encerrar a disputa das eliminatórias para a Copa de 2018 no principal estádio do país.

Agora o principal legado ambiental prometido pelo COL era a “Floresta dos Atletas”, que seria plantada no Complexo de Deodoro. Quem assistiu a abertura dos Jogos Olímpicos se lembra claramente que os atletas plantavam sementes de árvores que posteriormente formariam a floresta. A plantação de 12 mil mudas no parque estava prometida para acontecer um ano após os Jogos e até agora não aconteceu.

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Se nas disputadas da Rio-2016 o Brasil fez bonito e conseguiu a sua melhor participação na história das Olimpíadas, um ano depois o país abandonou seus atletas, abandonou os legados, e sobretudo parece não querer se tornar uma potência olímpica. Apesar do Comitê Olímpico do Brasil (COB) continuar investindo nos atletas, as competições em solo nacional ficaram escassas e vemos grandes eventos fugirem do Rio de Janeiro. Neste ano, por exemplo, a fase final da Liga Mundial de Vôlei foi realizada em Curitiba (PR), quando as praças esportivas do Parque Olímpico e até o Ginásio do Maracanãzinho, poderiam receber a competição.

Os responsáveis pelas estruturas prometem mudanças a curto prazo, mas até o momento a única coisa que iremos ver no Parque Olímpico é o Rock in Rio.

Imagens: Divulgação

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