Mayra Aguiar se torna a primeira judoca do país bicampeã mundial

É OURO! De forma espetacular, Mayra Aguiar conquistou nesta sexta-feira, 01, em Budapeste o título mundial com uma vitória incontestável sobre a japonesa Mami Umeki, que defendia o backnumber vermelho na categoria -78kg. O triunfo veio no golden score, quando a brasileira projetou a adversária, conseguiu um waza-ari e abriu um sorriso instantâneo no tatame. Assim, a gaúcha se tornou a primeira bicampeã mundial do Brasil (2014 e 2017), igualando o feito de seu conterrâneo João Derly (2005 e 2007).

“Com certeza (o Derly) foi uma inspiração para mim desde novinha”, disse Mayra, ainda ofegante na zona mista. “Estou muito feliz! Eu estava muito focada, tinha me preparado muito. Sabia o quanto era importante e o quanto é gostoso ganhar o Mundial.  E agora sou bicampeã.”

Com desempenho perfeito nas preliminares, vencendo todas as suas três lutas por ippon, com direito a revanche sobre francesa que a bateu na semifinal dos Jogos Rio 2016, Mayra chegou a mais um ouro de Campeonato Mundial depois de bater duas japonesas na reta decisiva. Primeiro, Ruika Sato, por um waza-ari, na semifinal. Depois, a detentora do título mundial Mami Umeki.

“O principal foi manter a cabeça sob controle e ficar focada sempre. Cada luta que passou, cada vitória foi um degrauzinho a mais. Essa foi a minha segunda competição depois dos Jogos Olímpicos. Gosto de ficar um tempo fora, poder me preparar melhor, fazer treino de base. É muito importante. Esse tempinho parada me dá mais fome de luta”, afirmou Mayra, que também se tornou a judoca brasileira com o maior número de medalhas em Mundiais Sênior (masculino ou feminino): agora são cinco (ouro em Chelyabinsk 2014 e Budapeste 2017, prata em Tóquio 2010 e bronze em Paris 2011 e Rio 2013).

Mayra foi a primeira brasileira a entrar no tatame da Laszlo Papp Arena, em Budapeste, nesta sexta-feira, e começou avassaladora com duas vitórias em sequência sobre a jovem Klara Apotekar, da Eslovênia, e sobre a austríaca Bernadette Graf.

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Nas quartas-de-final, o reencontro com Audrey Tcheuméo um ano após perder a semifinal olímpica para a francesa. Na luta, Mayra chegou a ser punida duas vezes, mas conseguiu projetar a rival, pontuando com um waza-ari e imobilizando, na sequência, fazendo Tcheuméo desistir do combate. Ippon e vaga na semifinal para a brasileira.

A quarta luta foi a mais tensa, com punições para os dois lados. Cada atleta levou dois shidos e ficaram no limite da eliminação pelo terceiro, até que Mayra conseguiu projetar Sato e marcar um waza-ari a um minuto do fim do combate. A japonesa veio para cima, mas a experiência de oito participações em mundiais pesou a favor de Mayra, que conseguiu defender-se e evitar o terceiro shido para garantir-se em mais uma final de Mundial.

Na decisão, Mayra se mostrou mais agressiva desde o princípio. A japonesa Mami Umeki sofreu dois shidos e só no minuto final do tempo regulamentar esboçou um pouco mais de ação, a fim de evitar mais uma punição. Mas, no golden score, Mayra foi implacável. Logo de cara surpreendeu a adversária e marcou o waza-ari.

Na categoria -70kg, Maria Portela também chegou ao bloco final de disputas no período da tarde. Na primeira luta, ela abriu um waza-ari de vantagem contra a sul-coreana Hye Jin Jeong, que respondeu com outro waza-ari e empatou o duelo no tempo normal. No golden score, Portela conseguiu projetar e pontuar com o segundo waza-ari para avançar às oitavas.

Nessa fase, Portela fez duelo equilibrado com a britânica Gemma Howell, que terminou empatado em punições (2-2) no tempo normal e, novamente, no golden score, a brasileira pontuou com um waza-ari para permanecer viva na briga por sua primeira medalha mundial.

Nas quartas-de-final, a brasileira levou um shido no tempo regulamentar da luta contra a japonesa Chizuru Arai e, sem mais pontuações, o combate foi também para o tempo extra. Maria conseguiu mais ataques e Arai foi punida, empatando a luta nas punições. Numa tentativa de ataque, Portela caiu de joelhos e seu braço encostou nas pernas da japonesa, o que foi interpretado como catada e a brasileira acabou punida pela segunda vez. A vantagem mínima deu à japonesa a vaga na semifinal e mandou a brasileira para a repescagem. Em sua última luta, Portela sofreu um waza-ari, levou duas punições e não conseguiu passar pela espanhola.

Na mesma categoria de Mayra, o meio-pesado (78kg), Samanta Soares teve um grande desafio, enfrentando a atual campeã mundial Mami Umeki, do Japão, logo na estreia. A japonesa conseguiu pontuar com um waza-ari e a primeira participação da brasileira em Mundiais Sênior terminou com uma imobilização da adversária por vinte segundos, equivalente ao ippon.

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