Operação Lava Jato apura compra de votos para escolha do Rio de Janeiro como sede olímpica

Danilo

A Operação Lava Jato chegou até a escolha da cidade-sede dos Jogos Olímpicos 2016. O presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e do Comitê Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman, é alvo de mais uma etapa da Lava Jato. Batizada de Unfair Play (Jogo sujo), a operação levou agentes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal para as ruas para prender suspeitos de comprar jurados da eleição da cidade sede da Olimpíada de 2016. A operação tem cooperação internacional com as autoridades da França, Estados Unidos e de Antigua e Barbuda. No total, são 11 mandados de busca e apreensão.

Desencadeada nesta terça-feira (5), a operação Unfair Play, teve origem na França. O Ministério Público Financeiro de Paris, na França, encontrou no final do ano passado traços da movimentação financeira em favor de Lamine Diack então presidente da Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês) e membro do COI, e seu filho, Papa Massata Diack.

O Ministério Público Financeiro de Paris, na França e o Ministério Público Federal (MPF), do Brasil, tem a convicção de que encontraram os vínculos entre contratos firmados pelo governo do Rio de Janeiro, do então governador Sérgio Cabral, por serviços públicos prestados por uma empresa terceirizada e  US$ 2 milhões (R$ 6,2 milhões) pagos em propina a membros do Comitê Olímpico Internacional (COI).

De acordo com as investigações, foram localizados traços de pelo menos duas transferências realizadas em favor de Papa Diack, no valor de US$ 1,5 milhão (R$ 4,7 milhões) e US$ 500 mil (R$ 1,5 milhão), às vésperas da definição da sede dos Jogos de 2016. A principal transação foi realizada em 29 de setembro de 2009 entre a Matlock Capital Group, empresa com sede em Miami, nos Estados Unidos, e a Pamodzi Consulting, empresa de Papa Massata Diack, filho do então presidente da Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês) e membro do COI . Três dias depois, a cidade do Rio de Janeiro foi escolhida como sede dos Jogos de 2016.

As investigações apontaram que a Matlock Capital Group pertencia ao empresário brasileiro Arthur Soares, conhecido como o “rei Arthur”.  Ele e sua sócia, Eliane Pereira Cavalcante tem mandados de prisão preventiva expedidos, sob acusação de lavar parte do dinheiro do esquema a partir de uma sofisticada operação envolvendo offshores nas Ilhas Virgens Britânicas e contas nos Estados Unidos e Antigua e Barbuda.

As investigações também dão indícios que Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, participou diretamente da compra de votos do Comitê Olímpico Internacional (COI) para que a cidade do Rio de Janeiro fosse eleita em 2009 como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

Segundo a investigação, Nuzman teria sido o responsável por interligar corruptos e corruptores: “Em busca de votos favoráveis à campanha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016, mancomunado a Sérgio Cabral, buscou representantes africanos do COI para alcançar o intento criminoso”, sustenta a Procuradoria.

 

Agentes cumprem mandados de busca na casa de Nuzman e também na sede do COB. Nuzman seguiu direto para a Superintendência da PF onde irá depor. Em nota o Ministério Público afirmou que “como há suspeitas de que o presidente do COB tenha nacionalidade russa, ele está proibido de ausentar-se do país e deverá entregar todos os passaportes que possuir”.

O Ministério Público Federal (MPF) pediu o bloqueio de até R$ 1 bilhão do patrimônio de Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB); do empresário Arthur Cesar Soares de Menezes Filho, o “Rei Arthur”; e de Eliane Pereira Cavalcante, ex-sócia do empresário. O objetivo, segundo procuradores, é reparar os danos causados pelos trio devido às proporções mundiais da acusação, de fraude na escolha da sede da Olimpíada Rio 2016.

Existem outras suspeitas além das operações realizadas nesta terça-feira, como o papel de empreiteiras como Odebrecht, beneficiadas pelas obras da Cidade Olímpica e da infraestrutura da cidade para os Jogos, e de líderes políticos, como o então presidente da república Luiz Inácio Lula da Silva e de Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro.

Até o momento o Comitê Olímpico do Brasil (COB) e o Comitê Rio-2016 não emitiram nenhuma nota oficial acerca da operação desencadeada nesta terça-feira (5).

Confira nota emitida pela Polícia Federal sobre a operação:

A Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público Federal e a Receita Federal do Brasil, deflagra na manhã desta terça-feira (5/9) a Operação Unfair Play, com o objetivo de desmantelar um esquema criminoso envolvendo o pagamento de propina em troca da contratação de empresas terceirizadas por parte do Governo do Estado do Rio de Janeiro. A operação, nova fase da Lava Jato no Rio de Janeiro, conta com apoio de autoridades francesas.

Cerca de 70 policiais federais cumprem 2 mandados de prisão preventiva e 11 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal/RJ, na cidade do Rio de Janeiro (Leblon, Ipanema, Lagoa, Centro, São Conrado, Barra da Tijuca e Jacaré), no município de Nova Iguaçu/RJ e em Paris/França.

As investigações, iniciadas há nove meses, apontam que os pagamentos teriam sido efetuados tanto diretamente com a entrega de dinheiro em espécie, como por meio da celebração de contratos de prestação de serviços fictícios e também por meio do pagamento de despesas pessoais. Além disso, teriam sido realizadas transferências bancárias no exterior para contas de doleiros.

O fatos apurados indicam a possibilidade de participação do dono das empresas terceirizadas em suposto esquema de corrupção internacional para a compra de votos para que a capital fluminense fosse escolhida pelo Comitê Olímpico Internacional como sede das Olimpíadas 2016, o que ensejou pedido de cooperação internacional com a França e os Estados Unidos.”

 

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