Precisamos falar sobre isto

CASSIO BIDA

Não, não é frescura! Nem falta de Deus. Muito menos bobeira. Depressão é um assunto sério e que precisa ser discutido sim!

O esporte de alto nível é um dos ambientes onde os seres humanos sofrem ainda mais com a pressão, a necessidade de resultados, a entrega total em alto desempenho. Quando um atleta consagrado como Nilmar apresenta um diagnóstico nesse sentido, espera-se uma atitude de apoio e solidariedade à pessoa.

Nesse ponto, o Santos tem marcado um golaço. O atleta teve seu contrato suspenso por tempo indeterminado. Nem por isso, no entanto, ele foi abandonado. Nilmar segue em tratamento medicamentoso e conta com acompanhamento psicológico em conjunto para auxiliar na recuperação.

Não sou a melhor referência para falar sobre as causas e consequências da depressão. Deixo isto para quem estudou e tem propriedade para falar sobre o assunto. Mas para eu, uma pessoa que segue em tratamento contra essa doença, ver uma notícia como esta, por mais incrível que possa parecer, humaniza a situação. Tira os grandes atletas do pedestal, muitas vezes inalcançável, para colocá-los lado a lado com nós, meros mortais.

Depressão é coisa séria e precisa ser tratada. O primeiro passo é reconhecer o problema e, a partir daí, buscar ajuda. Nós do Conexão News apoiamos a atitude do Santos e torcemos pela plena e total recuperação de Nilmar para que ele possa, em breve, voltar a fazer o que sabe de melhor: dar alegria a quem gosta de futebol. Força!

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Falando em alegria, o torcedor paranista extravasou no último sábado. Fazia tempo que a Vila Capanema não recebia um bom público. E, diante de 14 mil pessoas, o Paraná venceu o Londrina de virada em uma partida eletrizante.

O jogo contou com todos os ingredientes: adversário surpreendendo em um contra-ataque, reação rápida do time da casa, pressão, torcida empurrando o tempo todo, goleiro do time visitante pegando até pensamento… Todo esse clima de tensão culminou no golaço de Renatinho.

A vitória garantiu a entrada do Paraná, melhor mandante entre os 20 clubes da Série B, no grupo dos 4 que sobem para o ano que vem. Hoje já tem novo desafio, diante do Guarani em Campinas.

É cedo ainda para afirmar que o tricolor da Vila entre para não mais sair do G4. Mas é um passo importante. Que o time continue entregando a mesma garra em campo. Desse jeito, apoio fora dele não irá faltar!

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Claro que eu não poderia deixar de falar da grande polêmica da semana: A largada do GP de Cingapura de Fórmula 1.

Não cheguei a rever a largada diversas vezes como um comentarista experimentado no assunto deveria fazer. Em um primeiro momento, a culpa recaiu sobre o holandês Max Verstappen que teria guinado levemente o carro para a esquerda, acertado Kimi Raikkonen – que fazia a melhor largada dele na temporada (e uma das melhores dele próprio nos últimos anos) e, com isto, completando o efeito dominó levando Sebastian Vettel junto na brincadeira.

No final das contas, os fiscais responsáveis pela análise concluíram que o acontecido foi tão somente um incidente de corrida. E estou com eles. Um dos momentos mais tensos de qualquer corrida de automóvel é a largada. Seja ela lançada ou parada. O sanduíche de Ferrari com “recheio” de Red Bull só aconteceu porque nenhum dos três quis ceder naquele momento. E nem teriam porque fazê-lo.

A cena lembrou bastante uma largada em Jacarepaguá (nos tempos em que aquela área era um autódromo) no Grande Prêmio do Brasil de 1989. Na ocasião, Ayrton Senna, Gerhard Berger e Riccardo Patrese dividiram a primeira curva. Melhor para Patrese que saiu na liderança. Berger abandonou a prova e Senna teve de trocar o bico, comprometendo todo o planejamento da corrida. Nenhum dos três cedeu, mas pelo menos um deles seguiu. Em Cingapura, Vettel, Raikkonen e Verstappen abandonaram antes de completar a primeira volta.

Dos três, o menos inteligente, em minha opinião, foi Vettel. Afinal, ele foi o que tinha mais a perder em toda aquela circunstância. Depois de tirar uma pole da cartola, o tetracampeão parecia caminhar para um “passeio no parque” em Marina Bay. O principal concorrente ao título largaria apenas em quinto em uma pista onde as ultrapassagens são difíceis.

Resultado: a vitória caiu no colo de Hamilton. E, provavelmente, o campeonato. Restam apenas seis corridas e cinco, pelo menos, favorecem o carro da Mercedes. A não ser que outra quebra tire o inglês do páreo na Malásia, é mais um tetracampeonato pintando na Fórmula 1.

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