Acabou!

Tudo começou numa sexta-feira à noite. Era 09 de maio de 2008. Noite gelada, até parecia que ia chover. No impulso, decidi ir sozinho à Vila Capanema. Tenho o ingresso até hoje como “prova do crime”.

O que aconteceu naquela partida prefiro nem lembrar. Um time nervoso, desestruturado, sem alma, sem magia. Receita perfeita para um desastre que se concretizou ainda no primeiro tempo. Era a estreia no retorno à série B depois de sete anos. Derrota para o Avaí por 1 a 0.

Quase dez anos depois, num sábado ensolarado, saí de casa com parte da minha família para o Couto Pereira ver a partida contra o Boa Esporte. Última rodada. Jogo de festa. Afinal, na semana anterior, Audálio já tinha feito o serviço pra gente.

O que vi no campo do Coritiba vai ficar para sempre marcado na minha lembrança. A fumaça em três cores subindo e envolvendo o campo. A emoção na despedida do goleiro Marcos. A família de Jonas Pessali, falecido em um acidente neste ano, dando o pontapé inicial. Tudo acompanhado de uma cerveja gelada. Só uma mesmo. Afinal, beber de estômago vazio não dá muito certo. Experiência própria.

A partida em si não foi das melhores. Pouca iniciativa das equipes, apesar do time de Varginha levar mais perigo ao gol paranista. Tanto que, em um contra ataque, Rodolfo disparou pela direita e chutou cruzado. Muitos crucificaram o goleiro que se aposentaria ao final do jogo. Disseram que se o titular, Richard, estivesse sob os três paus teria defendido o tiro. Difícil saber.

Mas, aos 33 minutos do segundo tempo, o estrago estava feito. Pensei comigo: “Dane-se o jogo!”. Fiquei entretido com alguma coisa no celular, tentando sentir alguma indiferença com o que acontecia no gramado. Mas quem já esteve na arquibancada sabe que é impossível não pulsar junto com a torcida. Pouco tempo depois, já estava envolvido novamente.

O gol de Róbson, no apagar das luzes, deu brilho à festa. Não seria justo ir embora da Série B do mesmo jeito que chegamos. Dadas as circunstâncias, o empate vinha com um gosto maravilhoso de vitória. 1 a 1 aos 47 da etapa final.

Quando o árbitro encerrou a contenda, a bagunça se espalhou pelo estádio e nas ruas do Alto da Glória. Fora alguns infelizes que chegaram a invadir o gramado, a comemoração correu solta. Um grito entalado por dez anos foi solto naquele sábado, 25 de novembro de 2017. A gralha voa de volta à elite. Quão altos serão os voos na série A só saberemos a partir de maio, quando mais um Campeonato Brasileiro irá recomeçar.

——————————————————————————–

No domingo também tivemos o encerramento da temporada da Fórmula 1. Se o cenário de Abu Dhabi é dos mais bonitos, com direito ao sol se pondo durante a corrida, não podemos dizer o mesmo da disputa. Ou, como a patrulha da corrida chata gosta de reclamar, da falta delas.
O traçado dos Emirados Árabes impossibilita muitas vezes as ultrapassagens. Fernando Alonso que o diga. Afinal, perdeu lá a chance de ser tricampeão em 2010.
Valtteri Bottas venceu a última do ano. Com justiça. Mas o vice campeonato ficou mesmo com Sebastian Vettel. Afinal, o alemão foi constante ao longo do ano e merecia sorte melhor na disputa. Ah, aquele acidente infeliz em Cingapura…
Felipe Massa, enfim, se despediu de vez da categoria. Com direito a justas homenagens da dupla da Mercedes. Abraços do tetracampeão Lewis Hamilton, grande rival na disputa de 2008, e do antigo companheiro Bottas. O justo reconhecimento ao melhor brasileiro na história recente do esporte.
Agora, só no dia 25 de março os carros voltam às ruas de Melbourne para uma nova temporada. Mas os movimentos para 2018 começam esta semana com os testes de pneus da Pirelli. A Williams, sem dúvida, será quem mais chamará atenção.
Como já antecipamos, Robert Kubica leva grande vantagem na briga pela vaga. O russo Sergei Sirotkin também está de olho na chance de guiar para o time de Grove. O novo piloto do “Tio Frank” e a dupla da Sauber ainda são desconhecidas. Até o início da pré-temporada, daqui a uns três meses, saberemos os 20 que vão disputar o ano que vem.

——————————————————————————–
A grande novidade, no entanto, foi o anúncio da nova logomarca da categoria. Confesso, o aspecto não me agradou muito de início. Mas, no final das contas, é o princípio de novos tempos.

O marketing do Liberty Media anunciou que é só o começo. Ano que vem, teremos nova programação visual e até a possibilidade de transmissões online das provas. É a modernidade chegando à mais destacada categoria do esporte a motor.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *