Arrivederci Azzurra!

CASSIO BIDA

Uma zebra do tamanho do mundo, diriam uns. Uma ausência inimaginável, diriam outros. Há uns 20 anos atrás as declarações seriam estas. Mas hoje, acreditem, a Itália fora de uma Copa do Mundo não é nenhuma surpresa.

 As duas últimas presenças italianas em mundiais foram marcadas por atuações abaixo do esperado e eliminações ainda na primeira fase. Em 2010, dois empates contra Paraguai e Nova Zelândia e uma derrota para a Eslováquia. Quatro anos mais tarde, o começo teve uma vitória contra a Inglaterra. Mas derrotas para Costa Rica e Uruguai selaram mais uma eliminação precoce. Por isso mesmo, a segunda tetracampeã mundial da história fora da Copa não é tão estranho quanto poderia parecer.

 A Azzurra na primeira fase encontrou na Espanha sua grande adversária. Levou a pior nos confrontos diretos, além de tropeçar em casa contra a Macedônia. Por conta disso, caiu na repescagem e pegou um adversário duro.

Os duelos com a Suécia foram decididos em detalhes. Em Solna, na última sexta, um desvio em De Rossi matou Buffon. O time de Gianpiero Ventura se acovardou. Jogou atrás a maior parte do tempo e não teve forças para sequer buscar o empate. Ontem, no San Siro (ou no Giuseppe Meazza, dependendo da equipe milanesa para qual você torce), a Azzurra pressionou, lutou, tentou. Chegou a ir ao desespero. Até Buffon tentou o gol que levaria o jogo, no mínimo, para a prorrogação. Mas, no final, prevaleceu a defesa sueca.

O terceiro placar sem gols nos jogos de volta da repescagem europeia fez a seleção escandinava carimbar o passaporte para uma Copa do Mundo 12 anos depois da última presença. Aos italianos, cabe renovar a sua geração para buscar presença no Catar. Desde 1958 os italianos não sabiam o que era estar ausente de um mundial. Por sinal, quem ganhou aquela Copa mesmo?

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Restam agora apenas três vagas em disputa. E as três disputas vão ser na melhor base do quem ganhar leva. Irlanda e Dinamarca decidem amanhã o último europeu a ir para a Rússia. Nas outras duas partidas, a Austrália enfrenta Honduras na manhã de quarta-feira, assim como o Peru recebe a Nova Zelândia já na madrugada de quinta.

No primeiro confronto, as três partidas terminaram sem gols. Os dois primeiros duelos são bastante equilibrados. No terceiro, o Peru leva vantagem por jogar em casa. Mas a vida do time de Farfán e companhia não será fácil. Ainda mais com a ausência de Paolo Guerrero.

 O centroavante do Flamengo será julgado nos próximos dias e, dependendo do gancho, poderá ficar de fora da Copa do Mundo em caso de classificação peruana.

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No final de semana, a África definiu os últimos representantes que vão para a Copa. Tunísia, Marrocos e Senegal carimbaram seus passaportes. As três seleções se juntam à Nigéria e ao Egito na disputa do torneio na Rússia.
Foi o continente que registrou a volta de muitos ausentes. A começar pelo Egito. O primeiro africano a disputar um mundial de futebol também irá participar, pela primeira vez, em uma Copa que não acontece na Itália. Antes de 2018, os egípcios só disputaram um mundial em 1934 e 1990. Ambos na terra da bota.

 Já o Marrocos volta para o seu quinto mundial depois de um hiato de 20 anos. Senegal volta a marcar presença depois de 16 anos. E a Tunísia retorna depois de 12 anos para a sua quinta participação. A Nigéria é figurinha carimbada nas Copas desde 1994. Só não foi em 2006. E, ao que tudo indica, deve cair na chave da Argentina de novo.

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 Como não poderia deixar de ser, para encerrar deixo aqui meus cinco centavos sobre o GP do Brasil de Fórmula 1.

 Sobre a corrida, pouco a dizer. Vitória de Vettel com propriedade e vice campeonato quase assegurado. Enquanto isso, Daniel Ricciardo e Lewis Hamilton deram show escalando o pelotão. O atual campeão quase chegou ao pódio depois de largar dos boxes. O #44 terminou na quarta posição em uma corrida de recuperação espetacular. Já Ricciardo ficou atrás do companheiro Max Verstappen, mas também fez bonito terminando em sexto.

 A prova, no entanto, foi marcada pela segunda despedida de Felipe Massa. O brasileiro fez, dentro do possível, uma corrida brilhante. Segurou um sétimo lugar com propriedade e foi ao delírio com o carinho do público. Despedida digna de um grande piloto que vai deixar saudades.

 Ano que vem será o primeiro GP do Brasil da história a não ter um piloto brasileiro largando. Mas, a se julgar pelo entusiasmo do público em Interlagos, a festa não será menor.

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 E só uma pequena bola fora da transmissão na TV aberta. Ouvir Massa logo depois da corrida seria essencial. Em especial com todo clima de despedida das pistas. Mas dar voz a Anitta ao vivo, logo depois de cantar o hino nacional (onde, por sinal, além da interpretação sem graça, substituiu o final da primeira parte, que cantou por inteiro, pelo final da segunda), era totalmente dispensável.

 Embora a cantora seja um nome de destaque no cenário nacional(e, recentemente, até internacional), não faria diferença alguma ela falar apenas no Fantástico ou no Pânico. Quando perguntada para quem torceria na corrida, não titubeou: “Vim pra torcer pela Renault”. Afinal, era a montadora francesa quem estava patrocinando a moça. Não é só no futebol que o brasileiro sabe driblar!

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