Definindo caminhos

CASSIO BIDA

A espera chega ao fim. Moscou receberá o primeiro ato da Copa do Mundo nesta sexta-feira. O sorteio que colocará as 32 seleções divididas nos seus oito grupos com quatro integrantes cada.

Havia o risco de uma mudança importante de última hora. Isto porque o congresso peruano levaria à votação um projeto de lei que limitaria a autonomia da Federação Peruana de Futebol. Na prática, o governo poderia ter influência direta no órgão. Algo que a FIFA rejeita com veemência.

Se fosse aprovada, a lei poderia resultar na eliminação do Peru de todas as competições internacionais. A começar pela Copa. Um retorno que esperou 36 anos poderia, simplesmente, ser jogado no lixo. Felizmente houve bom senso dos parlamentares e a proposta foi retirada.

Com isso, Itália e Chile, que tinham esperanças de participar do mundial, vão mesmo assistir ao torneio apenas pela televisão.

    Depois desse prólogo, vamos explicar como vai funcionar o sorteio. As 32 equipes classificadas serão divididas em quatro potes. No primeiro, estarão os cabeças-de-chave. A Rússia, como país-sede, fará o jogo de abertura. Logo estará definida como a seleção que ficará na primeira posição do grupo A. As demais serão distribuídas pelas letras de B até H.

 

A partir daí, sairá uma seleção dos demais potes para cada um dos grupos. A exceção da Europa, que tem 13 classificados, não serão permitidas duas seleções da mesma confederação na chave. Isto quer dizer que não veremos jogos como Argentina x Uruguai, Brasil x Peru, México x Panamá ou Senegal x Nigéria já na primeira fase.

 

Os quatro potes foram definidos com base no ranking da FIFA divulgado em outubro. Além da Rússia, Alemanha, Brasil, Portugal, Argentina, Bélgica, Polônia e França serão anfitriões dos seus grupos. No pote 2 teremos: Espanha, Peru, Suíça, Inglaterra, Colômbia, México, Uruguai e Croácia. Dinamarca, Islândia, Suécia, Costa Rica, Tunísia, Egito, Senegal e Irã ficam no pote 3. Por fim, no último pote ficaram: Sérvia, Nigéria, Austrália, Japão, Marrocos, Panamá, Coreia do Sul e Arábia Saudita.

Sorteio sempre é algo imprevisível. Nas últimas Copas do Mundo o Brasil pegou chaves com alguma dose de desafio. Puxando pela memória, a última chave menos problemática para a seleção canarinho foi a de 2002 quando enfrentamos Turquia, China e Costa Rica ainda na primeira fase. Na Alemanha tivemos Croácia, Japão e Austrália. Na África do Sul, nossas companhias foram Coreia do Norte, Costa do Marfim e Portugal. Já na última edição, além dos croatas, mexicanos e camaroneses fecharam o Grupo A da competição.

Considerando a distribuição dos potes, e a obrigatoriedade de uma seleção europeia em cada grupo da Copa, a vida do Brasil não será das mais fáceis nesta primeira fase do mundial.

 

Resta saber em qual posição Espanha, Suíça, Inglaterra, México ou Croácia cairão em nossa chave. Entre estes adversários, a melhor saída seria um europeu. Isto porque o México, em tempos recentes, tem gostado de complicar a vida brasileira. Ou vocês não se lembram do paredão Ochoa em Fortaleza?

 

Se vier a Inglaterra, podem preparar a festa do hexa. Isto porque dos nossos cinco títulos, os ingleses cruzaram o caminho brasileiro em quatro. Dois deles ainda na primeira fase.

 

 

Se vier a Espanha, nada de mais também. Afinal de contas, desde que a Copa conta com uma fase de grupos, estamos invictos contra a Fúria. A única coisa que me incomodaria com a Suíça seria a tradicional retranca. E a Croácia, bem… a Croácia já dá pra chamar de freguesa.

 

No terceiro pote Costa Rica, se o México não cair em nossa chave, e Irã me agradam bastante. Entre os africanos, a Tunísia seria uma ótima escolha. Se vier alguém da Escandinávia, que venha a Islândia, que é estreante. Dinamarca ou Suécia seriam duas carnes de pescoço, assim como Senegal ou Egito.

 

E do último pote, não vindo a Nigéria (que, se a “lógica” prevalecer, deverá jogar, de novo, contra a Argentina) e sem querer desmerecer os outros adversários, qualquer um serve. Apesar que jogar contra um africano logo na primeira fase não seria mau negócio para o Brasil. Foram até hoje cinco confrontos e cinco vitórias. E, na maioria das vezes, por placares altos marcando pelo menos 3 gols.

 

Voltando a falar do quarto pote, Panamá (se já não contarmos com o México) ou Arábia Saudita (se o Irã não estiver) seriam mais que bem vindos. A seleção um pouco mais forte seria a Sérvia (isso se não tivermos já dois europeus no grupo). Austrália, Japão, Marrocos e Coreia do Sul não ameaçam tanto.

Dito tudo isto, uma chave legal para o Brasil jogar tranquilo na primeira fase contaria com Croácia, Islândia e Arábia Saudita. Os europeus brigariam pela segunda vaga, já que os sauditas, a julgar pelas últimas participações em Copas, seriam a “seleção do saldo”. Outra configuração interessante, e um pouco mais desafiadora, teria Suíça, Irã e Panamá. Três retrancas para explorar bem a velocidade dos nossos atacantes.

Já o “grupo da morte” perfeito não seria difícil de desenhar. Inglaterra, Suécia e Nigéria. A Argentina que o diga. Com uma chave assim em 2002, os hermanos caíram fora ainda na primeira fase. Ou, além dos nigerianos, Espanha e Dinamarca para dar um temperinho. Que tal?

 

Para o grupo da morte se desenhar a Nigéria é praticamente uma condição “sine qua non”. Ou mesmo Egito e Senegal, africanos mais fortes e perigosos. Neste caso, os egípcios ficariam bem juntos com México e Sérvia. E que tal Senegal, Inglaterra e Coreia do Sul?

 

Daria para brincar muito com os possíveis adversários. Há simuladores de sorteio espalhados pela Internet. É só escolher. Ou, como eu fazia quando mais jovem, recortar papéis com os nomes das seleções e sortear na mão mesmo. A brincadeira ficaria mais agradável e realista definindo as posições dos times nas chaves.

 

Todas as respostas virão amanhã, a partir das 13 horas, no famoso Kremlin. A sede do governo russo será o palco de mais este sorteio. Façam suas apostas!

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