Saídas e trocas

CASSIO BIDA

Desta vez é pra valer. Como a Williams ainda não chegou a uma definição sobre a dupla de pilotos para 2018, Felipe Massa resolveu, por conta própria, puxar o carro.

A decisão de voltar após anunciar a aposentadoria foi definida por alguns como ousada. No entanto, a temporada 2017 foi bastante irregular. Além do carro não ter ajudado, Massa não conseguiu entregar bons resultados para justificar mais uma temporada com o pessoal de Grove.

Por ele, ficaria mais um ano. Mas, em entrevista ao Bem Amigos, Massa revelou que a equipe seguiria por outro rumo na próxima temporada.

O movimento de saída é sensato. E, cedo ou tarde, iria acontecer. Poderia (e deveria) ter sido no ano passado, não fosse pela surpreendente decisão da saída de Nico Rosberg. Agora é curtir as duas últimas corridas de Massa na categoria. E, possivelmente, as últimas a contar com um brasileiro no grid pelos próximos anos.

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Independente da circunstância da saída, é preciso reconhecer: Felipe Massa foi grande! Em especial na sua melhor fase na Ferrari.
Quando no auge, chegou a superar Schumacher em algumas ocasiões. Depois de Senna, foi o único piloto a vencer em casa. Duas vezes. Que, em 2007, poderiam ter sido três não fosse a briga de Kimi Raikkonen pelo título.
A vitória em Interlagos há 9 anos sempre vai ficar com aquele gosto amargo. Mas não custa lembrar: o título não foi perdido naquele chuvoso domingo em Interlagos. Foi uma sucessão de acontecimentos, incluindo aí algumas falhas do próprio piloto, que culminaram com o vice campeonato.
Agora é esperar pela despedida neste final de semana. Não se sabe se será tão grandiosa quanto a do ano passado. Mas, sem dúvidas, será digna do grande talento que deixará as pistas em Abu Dhabi.

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Com a saída de Massa confirmada, agora é a hora de definir quem dividirá a equipe com o jovem Lance Stroll. Ao que tudo indica, é capaz que Claire Williams volte de licença maternidade e a equipe ainda não chegue a uma conclusão.
Quem segue como grande favorito à disputa de uma vaga é o polonês Robert Kubica.        Apesar de ter ido bem nos testes, e também de contar com Nico Rosberg como empresário, ainda há dúvidas quanto à capacidade física de Kubica com os novos carros.
Paul Di Resta, Daniil Kvyat e Pascal Wehrlein são outros candidatos à vaga. Contra os dois últimos, o fator idade pesa contra. Afinal, uma das exigências da Martini é que um dos dois pilotos que guie tenha, pelo menos, 25 anos de idade. Ainda há quem diga que Marcus Ericsson corra por fora em caso de uma possível demissão na Sauber.
Falando no time suíço, como eles contarão com motores Ferrari atualizados, a equipe deve se tornar uma espécie de time B dos italianos. Charles Leclerc, campeão da Fórmula 2, é um dos nomes tido como certo. A outra vaga poderia ficar com Antonio Giovinazzi, piloto de testes da equipe e que chegou a guiar o carro nas duas primeiras provas do ano em substituição a Wehrlein.

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Enquanto isso, há um forte rumor que os tifosi abandonem a Fórmula 1 a partir de 2021. Isso porque a mudança da especificação dos novos motores não agradou Sergio Marchionne e companhia. E ele já deixou claro: se o time não tiver condições de brigar por melhores resultados, a Ferrari sai. Tio Bernie já avisou que a ameaça não é um mero blefe.

Caso a saída se confirme, será a maior baixa da história da categoria. Afinal, a montadora italiana é a única que está na Fórmula 1 desde o início. É bom Chase Carey, vulgo tiozinho do Monopoly, se mobilizar. Caso contrário, o prejuízo é incalculável. Seja pela perda de fãs e torcedores, seja, principalmente, pelo fator monetário.
As negociações para os novos motores ainda estão no início. Portanto, mudanças ainda serão feitas. Contudo, a possível retirada de um dos pilares iniciais da Fórmula 1 é muito preocupante. Vamos aguardar os próximos capítulos.

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