LeBron James: do amor ao ódio, todos sentem algo por ele

ANA

“Eu sou o rei de Nova Iorque”. Rei. É assim que LeBron se auto intitula. E talvez até seja já que assim como bom rei o atual ala do Cleveland Cavaliers é amado por alguns, odiado por outros, admirado e querido por vários e desprezado por muitos. Dentro disso tudo o que não se pode negar é que LeBron é um jogador e tanto. Gostando dele ou não, o cara sabe o que fazer com a bola laranja em mãos, e talvez exatamente por isso não achemos tão estranho o cara se chamar de rei.

Você deve pensar: “ok, mas porque rei de nova Iorque se o time que ele joga é de Cleveland?” e eu te explico o porquê. Há mais de 15 anos existe uma relação de amor e ódio entre o jogador e o New York Knicks. Ele é homenageado na cidade. Outdoors e propagandas com James estão em todos os lugares, as vezes tem mais espaço que o próprio time. “If Jeezy’s payin Lebron, I’m paying Dwayne Wade”, esse é um trecho da música Empire State of Mind do rapper Jay-Z, que mostra que até mesmo as personalidades locais queriam o jogador em seus times. Propagandas. Eventos. Tudo em Nova Iorque tem LeBron James e qualquer um que tenha visitado a cidade pode afirmar isso. E em resposta, ele também demonstra seu amor à cidade onde as luzes nunca apagam com fotos e declarações em entrevistas.

Antes do Draft da NBA desse ano, LeBron afirmou que Dennis Smith Jr. tinha que vestir a camiseta do Knicks, mas o presidente do time, Phil Jackson, não deu ouvidos e escolheu o francês Frank Ntlikina. O ala dos Knicks entrou em defesa do companheiro e rebateu as críticas de LeBron, “eu não sei porque ele fez esses comentários (sobre Ntlikina), mas tudo que eu posso dizer é que nós amamos o Frank e estamos muito felizes com ele no time. Ele vem fazendo um ótimo trabalho e tem um futuro incrível. Ele está jogando muito bem e está fazendo o que deveria estar fazendo no time. Eu não trocaria o Frank por ninguém. Simples assim”, disse em entrevista. O jogador Enes Kanter também defendeu o companheiro francês.

LeBron James até reina, mas reina fora do seu reino. Ao longo do ano visita o Madison Square Garden – casa dos Knicks – duas vezes normalmente, exceto casos onde os Knicks vão para os playoffs, então o ala do Cleveland volta para seu trono. Talvez esse seja o principal diferencial do jogador, amado ou odiado, todos querem ver ele em quadra, todos querem sua visita, ele deixa a sua marca. LeBron James é memorável e pode sim ser considerado um dos grandes para toda a eternidade da NBA, mas isso não quer dizer que ele seja amado por todos, nem Michael Jordan foi assim, porque James ousaria pensar que com ele as coisas seriam diferentes?

Por falar em Jordan, o mesmo disse que o ginásio dos Knicks era “o lugar para mostrar todo seu talento”, e isso LeBron faz desde 2008, quando ainda sem nenhum título na mochila, realizou a fatídica performance de 8 assistências, 10 rebotes e incríveis 50 pontos. Sim, tudo isso foi em uma só partida. Volto a dizer, ame ou odeie, mas não diga que LeBron James não joga “tudo isso”.

Em 2015 a disputa pelo trono ficou mais forte já que a cidade apontava um novo rei. Kristaps Porzingis, jovem letão draftado pela NBA com 20 anos e que aos poucos foi ganhando a confiança necessária, mas que logo despontou como o próximo a usar a coroa de rei da cidade. Porém, mesmo distante, LeBron não abre mão do seu cargo e após a chegada do letão, em um jogo do Cleveland contra o Knicks, no Garden, foi vaiado, ouviu manifestações. Tinha uma torcida contra si mesmo e percebeu que começava então a usar um trono que não era mais certo como seu. O time de Cleveland perdia por uma diferença de 23 pontos, parecia que o fim da Dinastia James estava prestes a chegar ao fim, mas como um bom rei, refrescou a memória dos nova iorquinos e fez 9 assistências, 12 rebotes e 23 pontos.

No fim daquele jogo, há um mês atrás, LeBron se viu cara a cara com o ascendente ao trono, e mais do que isso, deixou uma lição a todos que ousarem desafiar o rei em seu próprio espaço. Talvez a diferença é que LeBron não tenha mais tanta tranquilidade no seu reino como antigamente, mas será que um dia ele vai perder o trono que foi seu por anos? Talvez, em algum momento, mas o fato é que amado ou odiado, em Nova Iorque ou em outra cidade, LeBron Raymone James vai sempre encontrar uma outra cidade para ser rei absoluto.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *