O sagrado livro da NFL, suas regras e a imprudência dos jogadores

ANA

Que o Futebol Americano é um esporte de contato todo mundo sabe, por mais que muita gente o defina como um esporte “violento”, prefiro dizer que ele exige muito contato de forma intensa e rápida.  E a NFL está muito atenta a formas de contato que extrapolem os níveis aceitados pela liga já que todo caso extracurricular acaba sendo mal visto e atraindo má publicidade à mesma.

Desde de muito tempo a NFL vem analisando o que pode ser feito para diminuir os atos considerados de “violência desnecessária”, mas desde 2015 – que foi um ano alarmante nesse sentido – medida mais efetiva vem sendo tomadas. Claro que uma colisão ali e aqui serão sempre normais e não tem como evitar. Os jogadores, muito inteligente que são, costumavam fazer esses “golpes baixos” quando estavam em um amontoado de gente, já que não tinham testemunhas.

É importante distinguir: violência desnecessária e conduta antidesportiva são coisas diferentes; a primeira ocorre com contado de jogo, a segunda não. Violência desnecessária pode acontecer em qualquer área do campo e normalmente acontece da defesa sob o ataque. Conduta antidesportiva seria dar um soco em um jogador ou o provocar com insultos, por exemplo.

Em 2016 foi analisada e aprovada uma regra que criava um tipo de cartão vermelho na NFL, que funcionaria mais ou menos assim: se o jogador comemorar de modo a provocar os adversários na End Zone, ele será advertido. Se repetir a comemoração, será expulso. Agora, se o jogador realizar algum ataque direto a outro jogador, depois do apito, ele não sofrerá punições. Em tese essa nova regra funcionaria exatamente assim, mas desde que foi colocada no livro das regras, pouco se aplicou.

A ideia aqui era dar mais poder ao árbitro dentro do campo, mas é de extrema importância lembrar que o livro de regras da NFL tem mais de 400 páginas, então dar mais poder sem preparar melhor os juízes, significa arrumar um problema, que é o que vem acontecendo. Com punições injustas, marcações precipitadas, faltas desnecessárias e jogadas paralisadas sem motivo vem sendo mais frequentes desde a nova regra, isso se da pela confusão de regras, não estou aqui culpando os árbitros da liga, muito pelo contrário, estes evitam grandes injustiças em campo.

O que vem funcionando de fato para diminuição efetiva dos casos são as punições e multas impostas pela liga nos jogadores. Em 2013, o quarterback do New England Patriots, Tom Brady, teve que pagar uma multa de aproximadamente R$ 30 mil por usar de violência desnecessária na final da Conferência Americana (AFC) contra o free safety do Baltimore Ravens, Ed Reed. Final essa que teve vitória do time de Baltimore por 28 a 13.

Em 2016, Richard Sherman, cornerback do Seattle Seahawks, foi multado em cerca de R$ 36 mil e Deshazor Everett, cornerback do Washington Redskins, em R$ 120 mil, por violência desnecessária. Everett teve o valor elevado por realizar duas penalidades de violência. Em um acontecimento mais recente, em setembro deste ano, o linebacker Danny Trevathan, do Chicago Bears, foi suspenso por duas partidas após dar uma pancada bem forte no capacete de Davante Adams, wide receiver do Green Bay Packers.

Mas o que me leva a escrever essa coluna foi o ato totalmente imprudente e, porque não dizer, idiota de Rob Gronkowski no último domingo, no jogo entre New England Patriots e Buffalo Bills. O camisa 87 dos Patriots pulou em cima de Tre’Davious White após a jogada já ter sido finalizada, e já que nenhum jogador da NFL é pode ser considerado leve, White saiu de campo com protocolo de concussão. Gronkowski tem entre hoje e amanhã para recorrer da suspensão. Caso não consiga transformar em multa ou simplesmente a anular, o jogador desfalca seu time na semana 14 da liga, em um jogo contra o Miami Dolphins. Assista o vídeo da jogada logo abaixo:

 

 

Concussão é um a assunto muito sério e que tem consequências, às vezes, irreversíveis para os jogadores. É inadmissível que os jogadores da NFL, mesmo conhecendo os perigos, continuem agindo como o tight end dos Patriots agiu no último domingo. Talvez esteja na hora da NFL abrir o rulebook e adicionar novas punições e novas regras para a temporada 2018. Enquanto isso não acontece, eu deixo uma indicação de filme para vocês:

Concussion, um filme de 2015 que conta a história do Dr. Bennet Omalu (interpretado por Will Smith), um neuropatologista forense, que diagnostica um severo trauma cerebral em um jogador de futebol americano e, investigando o assunto, descobre se tratar de um mal comum entre os profissionais do esporte. Determinado a reverter o quadro e expor para o mundo a grave situação, ele trava uma guerra então contra a poderosa NFL.

 

 

 

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