Robinho continuar jogando futebol é uma tremenda violência contra a mulher

Danilo

Robinho surgiu no Santos Futebol Clube em 2002 e ficou no futebol brasileiro até 2005 quando se transferiu para o poderoso Real Madrid. Na época era tido como uma das grandes promessas do futebol brasileiro e considerado por muitos o futuro melhor do mundo. Mas nada disso se concretizou. Foi por anos destaque da seleção brasileira, assumiu protagonismo em alguns momentos. Mas nunca foi aquele craque que todos esperavam.

Viveu sem dúvida seus melhores momentos da carreira no futebol brasileiro, foram três passagens pelo Santos e uma pelo Atlético-MG. Fez sucesso nas equipes nacionais, porém, hoje aos 33 anos, o atleta vê sua carreira no limbo e praticamente acabada.

Em novembro do ano passado ele foi condenado a nove anos de prisão na Itália, acusado de participar de um estupro coletivo de uma jovem. O advogado do brasileiro defende no processo que o sexo foi consentido. Verdade ou não, Robinho está sentenciado pela corte italiana. O caso ainda cabe recurso em segunda e terceira instância e até se esgotarem os recursos a corte italiana não vai solicitar a prisão do atleta. O Brasil não extradita seus cidadãos então provavelmente Robinho nunca irá cumprir uma pena.

Todos os dias as notícias que correm no meio do jornalismo esportivo é alguma equipe conversando com Robinho. Grêmio, São Paulo e Santos já foram equipes especuladas para ter em seu plantel o “Rei das Pedaladas”. Se Robinho é um jogador que pode ser um diferencial para as equipes, a contratação do ex- jogador da seleção brasileira só não aconteceu ainda por causa de sua condenação.

Os clubes brasileiros estão preocupados com a repercussão frente à torcida feminina e estão certos. Contratar Robinho é ir contra os direitos das mulheres, é não apoiar a causa feminina. Em um país onde a cada 11 minutos uma mulher é estuprada, ter Robinho em seu elenco faz com que os clubes não se importem com a realidade que cerca nosso país.

Dados do 11º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em 2017, relatam que uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil. Os casos de estupros aumentaram em 3,5% e a taxa de feminicídio no nosso país é a quinta maior do mundo.

Somos um país repleto de preconceitos, onde uma transexual vira assunto por jogar na Superliga Feminina, onde os casos de racismo contra negros e gays no esporte aparecem a todos os momentos e onde as mulheres são objetivadas em todos os esportes. Vale lembrar ainda a disparidade entre futebol masculino e feminino em nosso país. Por esses motivos e vários outros que não tenho competência para falar, contratar o Robinho é dar um passo para trás na evolução, é não se importar com a mulher, é deixar de apoiar as causas femininas e trair as mulheres que amam futebol.

Robinho sempre foi um dos meus ídolos dentro do futebol, claro que nunca vou esquecer aquelas oito pedaladas dele aos 18 anos na final do Campeonato Brasileiro de 2002, mas hoje, ele condenado por estupro coletivo na Itália, não merece vestir as cores de nenhuma equipe de futebol. Sou santista, cresci vendo Robinho jogar futebol, comprei camisas, defendi ele em rodas de conversa. Mas hoje o atleta deve mesmo é pendurar as chuteiras.

Essa não é a primeira vez que Robinho é acusado de estupro, quando atuava no Manchester City se envolveu em um caso semelhante e foi absolvido. Todos são inocentes até que se prove o contrário, mas no caso do Robinho, até que prove a inocência ele será culpado.

Ter um atleta condenado por estupro atuando no futebol brasileiro é uma tremenda violência contra a mulher.

 

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