Thomaz Bellucci volta a competir em fevereiro após suspensão de 5 meses por dopping

Danilo

O tenista brasileiro Thomaz Bellucci, atual 112º do ranking da ATP, voltará a competir no circuito mundial no ATP de Quito, na semana de 05 de fevereiro, logo após o término da sua suspensão pela ITF (Federação Internacional de Tênis). Bellucci foi suspenso por ter ingerido uma substância proibida pelas regras da entidade, HIDROCLOROTIAZIDA (diurético), encontrada em um multivitamínico com contaminação cruzada.

O caso aconteceu em julho, quando o atleta foi submetido ao exame antidoping durante o ATP de Bastad, na Suécia. O atleta tomava o multivamínico, com diversas vitaminas e minerais, como recomendação médica profissional, para ajudar na sua recuperação. A hidroclorotiazida é uma substância proibida pela WADA/ITF.

“Jamais tomei algum tipo de suplemento, ou qualquer outra substância que fosse me favorecer ou que fosse infringir as regras do fair-play do esporte. Nunca poderia imaginar que um multivitamínico feito em uma farmácia de manipulação pudesse sofrer contaminação cruzada em doses mínimas. Sempre tomei todos os cuidados e respeitei as regras do esporte.” lamentou Bellucci. “Foi justamente em um momento em que eu estava me recuperando de lesões (tornozelo) e fazendo uma transição importante na minha carreira, de mudar para a Flórida, montar uma base de treinamento lá para atingir o meu máximo potencial no circuito nos próximos anos.”

Os planos do tenista que já chegou a ser o 21º colocado no ranking mundial tiveram que ser adiados até que a definição da ITF fosse anunciada. Bellucci recebeu a notificação no dia 18 de setembro de 2017 e no dia 21, quando ainda estava em recuperação da lesão e se preparava para jogar o ATP de Shenzen. Ele então retornou ao Brasil para tratar do tornozelo cuidar do caso e apresentar a sua defesa. “Eu tinha tanta certeza da minha inocência que parei tudo para cuidar disso,” explicou.

DEFESA

Frascos do multivitamínico foram enviados por Bellucci para análise em renomado laboratório nos EUA e até mesmo ao laboratório de Montreal, Canadá, credenciado pela WADA,  que comprovaram a contaminação em diversos frascos. Além disso, o tenista, voluntariamente, fez exames de urina e cabelo, também fora do País, para provar que não usou nenhuma substância proibida para melhora de performance ou drogas sociais. Os resultados foram negativos para qualquer tipo de droga ou substância proibida, tendo sido aceitos pela ITF.

“Após longa análise dos fatos pela ITF, a entidade optou por uma pena branda de 5 meses, o mínimo possível em um caso desses, que poderia ser de até 4 anos, tendo levado em consideração a diligência e reputação do Thomaz, bem como  todas as provas médicas e científicas apresentadas, somadas ao consumo não intencional da substância e à ausência de melhora da performance”.  No entanto, a ITF advertiu o Thomaz com esta baixa sanção, pois entendeu que ele deveria ter checado a procedência do multivitamínico, verificado se a farmácia de manipulação cumpria com as normas regulatórias e se era confiável,” explicou o advogado Pedro Fida, especialista em doping e sócio do Bichara e Motta Advogados. “A decisão final foi tomada no dia 31 de dezembro, sem necessidade de uma ida ao tribunal. Alcançou-se um acordo entre as partes.”

SUSPENSÃO

A suspensão de 5 meses teve início no dia 1o de setembro de 2017 e o término da suspensão se dá no dia 31 de janeiro de 2018. Dessa forma o paulista de 30 anos ficará de fora do Australian Open, em janeiro. Por causa do dopping, Bellucci perdeu 90 pontos ganhos no ATP de Bastad e a premiação em dinheiro de simples (4,875 euros) e duplas (3,720 euros). A premiação e pontuação do técnico e parceiro André Sá foi mantida.

Todos os resultados e premiações do tenista após o torneio de Bastad foram mantidas, inclusive as do US Open.

“Fiquei muito chocado com tudo isso que aconteceu, e tomarei todas as medidas judiciais contra a farmácia de manipulação e responsáveis por este erro que prejudicou minha carreira, além de denunciá-los aos órgãos competentes. Além do meu caso, muitos atletas que correm o risco de serem prejudicados por erros e falhas regulatórias semelhantes. Mas não deixei de cuidar do meu físico. Perdi meses importantes para mim no circuito e agora é bola pra frente. Já estou indo para os Estados Unidos para treinar e não vejo a hora de voltar a competir,” disse o brasileiro que embarca hoje mesmo para a Flórida, onde na próxima semana terá a companhia do técnico André Sá.

Bellucci disputa, a partir do ATP de Quito, toda a temporada da América do Sul no saibro, seguindo para o ATP de Buenos Aires, o Rio Open e o Brasil Open.

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