Revoluções por minuto

CASSIO BIDA

Era certo que o pessoal do Liberty Group quando assumiu os negócios da Fórmula 1 iria promover mudanças importantes. Só não se imaginava que elas seriam tão rápidas e igualmente intensas.

O primeiro choque veio na quarta-feira com a extinção das chamadas grid girls. Sabe aquelas modelos bonitas, vestidas em algumas ocasiões com trajes apelativos? A partir desta temporada elas serão coisa do passado. Segundo os novos donos, a permanência das modelos no grid vai contra os valores atuais do mundo.

Tio Bernie classificou a decisão como puritana. Vários fãs do automobilismo lamentarão a ausência das moças em frente aos carros. Alguns grupos feministas comemoraram a decisão, uma vitória contra a objetificação das mulheres. Pilotos ficaram divididos. Certo é que as mulheres, para o bem e para o mal, terão menos espaço no grid. O que, nos tempos atuais, não deixa de ser um retrocesso.

————————————————————

A outra grande mudança veio para agradar a muitos fãs que assistem às corridas pela televisão. Elas irão começar, em sua maioria, uma hora e dez minutos mais tarde.

Trocando em miúdos, os GP’s realizados na Europa irão começar a partir das 10h10 e não mais às 09h como estávamos acostumados. A mudança afetou as corridas na Europa e também o Grande Prêmio do Brasil que passará a ter sua largada às 15h10. Neste ano, o Grande Prêmio da França começará ainda mais tarde, às 11h10 para não atrapalhar o horário da Copa do Mundo com o jogo entre França e Panamá.

Esses dez minutos a mais no horário da largada, de acordo com o pessoal da Liberty, foram pensados nas emissoras terem tempo para fazer um pré-corrida mais elaborado. Com mais tempo no grid, analisando, estudando o que pode acontecer antes das luzes vermelhas se apagarem.

Por um lado, os torcedores, em especial aqueles que não gostam de acordar cedo aos domingos, agradecem. Durante os anos 1980 as corridas começavam por volta das 10 da manhã e isto não prejudicava a audiência. Com a F1 começando mais tarde, a expectativa é que mais pessoas possam acompanhar as corridas. Isso sem falar na tranquilidade de tomar um bom café da manhã e curtir a largada bem tranquilo.

Por outro lado, ficam várias dúvidas sobre a transmissão da categoria na TV aberta no Brasil. Levando em consideração que as provas geralmente duram duas horas, como ficará o Esporte Espetacular em domingos de Fórmula 1? O horário do Grande Prêmio do Brasil vai atrapalhar a transmissão ao vivo da corrida, assim como já ocorre com Canadá, México e Estados Unidos? As respostas virão ao longo de abril e maio quando a temporada europeia começar.

————————————————————

Meio tarde, eu sei. Mas sinceramente não vi nenhuma surpresa na confirmação de Sergey Sirotkin na Williams. Embora o dinheiro possa ter influenciado, Toto Wolff garante: foi o desempenho que botou o russo no cockpit de Grove. Kubica, como “prêmio de consolação”, ganhou o cargo de piloto de desenvolvimento da equipe e poderá, eventualmente, dar o ar da graça em uma sexta-feira ou outra de treinos livres. Além, é claro, das rodadas de testes em Barcelona.

Com isto temos as 20 vagas oficialmente definidas na Fórmula 1. Bem como os números dos pilotos no grid. Hamilton, atual campeão, não trocará o #44 pelo #1. Quanto aos estreantes: Charles Leclerc vai com o #16 e Sirotkin usará o #35. Os demais seguem como estão.

————————————————————

Semana que vem, como é Carnaval, não teremos texto por aqui. Sei que o ritmo das colunas está mais devagar que de costume. Mas, a partir do dia 20, com a proximidade do início dos testes de pré-temporada na Fórmula 1, elas voltarão a toda.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *