Glamour no jornalismo esportivo? Isso não existe!

ASSINATURA DANILO

Muitas vezes me perguntam como é o glamour do jornalismo esportivo. Doce ilusão eu respondo. Não existe glamour, nem chegamos perto. Muita gente acha que estar nos principais eventos esportivos do mundo é algo que dá para aproveitar cada segundo, outra mera ilusão. Não sabem que a dificuldade existe a cada passo que damos em uma competição.

O calor atrapalha, mas a chuva atrapalha ainda mais. O vento prejudica o som naquele vídeo, o barulho do ginásio não deixa a gente mandar aquele recadinho rápido com informações por vídeo para as redes sociais. Sempre temos um empecilho para superar.

Nas Olimpíadas o grande problema foi o deslocamento. Saíamos às 8 horas da manhã do apertamento (sim você leu certo, apertamento) que nossa equipe estava alojada, pegávamos o transporte de mídia e percorríamos certa de 36 km no caótico trânsito carioca até chegar no Parque Olímpico na Barra da Tijuca. Agora você deve estar se perguntando o motivo de não termos ficado mais perto do principal local de competições, é simples: pagamos aquilo que conseguíamos pagar. Aliás, muita gente não sabe, mas era um apartamento quarto e sala conjugados, um banheiro e convivemos por quase 30 dias com baratas. Alô glamour?

Vocês devem estar pensando o motivo de estar escrevendo esse texto na minha coluna hoje, vou explicar. Muitas pessoas vem conversar comigo e pedir dicas, ajuda, acham que tenho histórias bacanas para contar sobre minhas coberturas. Até hoje já participei de oito eventos esportivos internacionais, fora outros tantos nacionais e estaduais. Tenho sim muita história e experiência bacana para contar, mas longe de ter algum glamour.

Eu e meu companheiro de batalha no Conexão, Eduardo Demeterco, já escutamos profissionais falando que nós só vamos para eventos internacionais por sermos “playboys”. Mal sabem eles que nunca, repito, NUNCA, fomos para nenhuma competição que cobrimos até hoje sendo bancados por patrocínios. Graças a Deus nosso próximo evento, em Buenos Aires, será o primeiro que vamos com todas as despesas pagas, tudo por conta dos nossos patrocinadores.

Por muito tempo tiramos dinheiro do próprio bolso para realizar nossas coberturas. Eu inclusive deixei de ir para os Jogos Pan-americanos em Toronto por falta de grana, optei por guardar o dinheiro para ir para as Olimpíadas.

Vou parar de falar um pouco e deixar vocês com gostinho de quero mais, a partir da próxima semana a minha coluna será exclusivamente dedicada a contar histórias, perrengues e alegrias de muitos eventos que participei como jornalista. Prometo contar um pouco mais sobre as baratas do nosso QG nos Jogos Olímpicos Rio-2016, sobre atletas que me decepcionaram em entrevistas e sobre outros que me surpreenderam. Espero passar um pouco da minha experiência, emoção e felicidade. Pois se não existe glamour no jornalismo esportivo eu asseguro que paixão e boas histórias é o que não faltam!

Grande abraço!

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