O dia que “menti” ser da Globo para conseguir um táxi

ASSINATURA DANILO

 

 

 

 

Hoje o dia amanheceu chuvoso em Curitiba e acabei me lembrando de um dos casos mais legais da minha vida de jornalista esportivo. Era 2014, o Conexão News tinha pouco mais de 6 meses e eu estava na minha primeira competição internacional. Dizem que o primeiro evento internacional que você cobre é inesquecível e esse não foi diferente. Era a primeira rodada da Liga Mundial de Vôlei, Brasil x Itália, os dois maiores vencedores da competição se enfrentavam e eu madruguei na rodoviária de Curitiba para ir rumo a Jaraguá do Sul para cobrir a Liga.

Cheguei na cidade muito cedo, antes das 9 horas da manhã, fui até o hotel retirar a minha credencial e depois fui andar no centro da cidade, afinal de contas não é sempre que você tem um tempinho para conhecer alguma cidade que visita à trabalho. A cidade estava praticamente parada, parecia que todos os moradores iriam para a Arena Jaraguá assistir a partida. A expectativa de casa cheia era verdade.

Cheguei no ginásio 3 horas antes do jogo começar, fui vendo as arquibancadas encherem e meu coração saltando pela boca, pois era minha primeira competição internacional. O jogo foi fantástico, mas o Brasil perdeu e conheci naquele dia o ponteiro Zaytsev da Itália, o cara jogou muito naquele dia, afundou o Brasil.

O jogo acabou perto das 18horas, às 19horas saía meu ônibus rumo a Curitiba. Enquanto o jogo rolava, São Pedro fez questão de desabar o mundo e na saída do ginásio tive a dimensão que a cidade toda realmente estava ali, o trânsito estava caótico e nos tempos sem Uber, fui recorrer ao táxi, debaixo de chuva forte e descobri que lá em Jaraguá você tem que marcar com um taxista a corrida e pasmem, não conhecia nenhum. Era hora de tentar passar a lábia no motorista e conseguir uma corrida até a rodoviária. Falei que era jornalista do Globo Esporte, afinal de contas se nem meus amigos conheciam direito o Conexão, que moral eu teria para convencer o cara se eu falasse que era de um minúsculo site de Curitiba? O taxista ficou louco de raiva e triste, falou que a prefeitura não deixava ter pontos de táxi ali, pediu para eu não colocar na matéria que falta transporte saindo do ginásio, se não poderia não ocorrer mais eventos grandes por lá. Por fim, graças a isso, consegui uma carona com a mulher e a mãe que tinham reservado o táxi.

O táxi parou na rodoviária em cima do laço e embarquei, voltei para Curitiba feliz pelo primeiro evento internacional do CN, contente pelo trabalho feito e com o aprendizado de sempre pegar o número de um taxista nas cidades que eu for. Afinal de contas, sempre bom remediar.

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