O descuido com o futebol institucional

ASSINATURA CLAUDEMIR

Existe uma vergonha que acompanha o futebol há décadas. O desleixo com o cuidado institucional, principalmente a valorização da história, eternizando aqueles que passaram e fizeram que as conquistas marcassem a trajetória dos clubes. Hoje vemos relíquias sem dono. Não há quem zele, e os poucos que resistem, estão mal das pernas. Na semana passada, o governo federal aprovou o uso da Lei Rouanet para captação de recursos na construção do museu que preservará a história do Coritiba. Uma boa notícia.

Nós acostumamos a conviver com o “deixa para lá” institucional, não damos a menor bola e muito menos cobramos das diretorias dos clubes. Essa culpa cabe aos torcedores, imprensa, sociedade organizada e até os próprios jogadores, incluindo os seus familiares. Para um país pentacampeão do mundo, deveríamos reverenciar os nossos jogadores que marcaram a nossa pátria do futebol. O planeta inteiro reverencia os nossos craques, menos nós, que deveríamos eternizar os nossos craques.

Na história do nosso futebol já roubaram, pasmem, uma das taças da conquista da Copa do Mundo, aquela que conquistamos em 1970, timaço que contou com Pelé, Rivelino, Jairzinho, Tostão, entre outros. A “luxuosa” CBF (Confederação Brasileira de Futebol) protagonizou esse “papelão” por não cuidar direito da nossa história.

Precisamos desafiar a CBF, as Federações estaduais de Futebol, a preservar, resgatar e nunca deixar de valorizar os jogadores, tornando público as suas imagens para que nunca caiam em esquecimento e as novas gerações conheçam a história. Há um compromisso “moral” com aqueles que suaram a camisa. Hoje só pensa monetariamente em acordos e negociações milionárias.

O povo não tem acesso ao museu da CBF, Pelé teve que montar um museu próprio em Santos, caso contrário, suas relíquias mofariam. Em São Paulo, no estádio Pacaembu, desenvolvem um bonito trabalho, sem um “tostão” das federações e do poder público. Há jogadores que contam as suas histórias nas suas residências para não cair no esquecimento. Precisamos mudar urgentemente. Cair no esquecimento é a pior recompensa para tanta dedicação.

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