Esportes e saúde mental: entenda melhor essa relação e aprenda a se beneficiar

NATALIA CONCENTINO

 

As atividades físicas fazem bem não só para o corpo como também para a mente, elas podem ser grandes aliadas ao tratamento psicológico, trazendo bem estar e prazer. Para entender melhor essa relação e os benefícios que o esporte traz no tratamento de pacientes com depressão e ansiedade, conversamos com o psicólogo José Luis Fonseca Bueno Junior.

“A atividade física é algo fundamental quando falamos em qualidade de vida, os benefícios físicos e mentais são diversos. Costumo dizer que o esporte é meu grande aliado no consultório. Percebo grande diferença nas evoluções terapêuticas entre pacientes que se exercitam e os sedentários”, comenta o psicólogo.

Bueno Junior observa que muitos pacientes não se interessam muito quando ele propõe a prática esportiva ao longo do tratamento e outros esperam por resultados mais imediatos. “Em algumas situações o indivíduo ao praticar o esporte pode ter a sensação de bem estar durante e após a execução, mas em outros momentos o corpo precisará se adaptar a essa atividade. Após o período de adaptação, seu corpo gradativamente aumentará o fluxo sanguíneo no cérebro, fazendo com que chegue mais oxigênio e nutrientes aos seus neurônios, deixando-os mais saudáveis. Isso proporcionará uma espécie de upgrade nas suas funções mentais, facilitando a atividade do seu córtex pré-frontal, responsável pela tomada de decisões e planejamento. Além disso, percebe-se melhora das funções do hipocampo, potencializando seu poder memorização e produção de neurônios”.

Pessoas com depressão podem ter um desequilíbrio do cortisol no sangue (hormônio que ajuda a controlar o estresse), fazendo com que perca massa muscular, tenha ganha de peso ou diminuição de testosterona e isso interfere diretamente na qualidade de vida. “Ao praticar a atividade física, o indivíduo tem facilitada a produção de substâncias químicas (endorfina, serotonina, dopamina, noradrenalina e tantas outras) essenciais para o seu bom funcionamento mental. Essas substâncias são responsáveis por nossas sensações de bem estar, prazer e alerta. Ainda de quebra, nosso corpo começa a equilibrar melhor os níveis de cortisol”, explica o psicólogo, recomendando as atividades físicas durante o tratamento.

Em casos de pacientes que tratam ansiedade e síndrome do pânico, Bueno comenta que os exercícios físicos podem ter o mesmo efeito de um tradicional medicamento, “estudos mostram que ao realizar uma atividade aeróbica, como caminhar regularmente três vezes por semana durante trinta minutos, tem a mesma eficácia que a Sertralina (um dos remédios mais eficazes do mercado para combater depressão, transtorno de ansiedade, TOC*, pânico e tantos outros). Além disso, é válido lembrar que ao estar focado na sua atividade física o indivíduo proporciona a distração dos estímulos estressores, aumentando o controle sobre seu corpo e sua vida”.

O psicólogo também lembra que tudo que é feito em excesso pode ser prejudicial, o que acontece também com as atividades físicas, portanto, a pessoa deve ficar atenta e não transferir suas frustrações para o esporte. “Quando pensamos nos benefícios físicos e mentais que os exercícios podem nos trazer, fazemos uma continha rápida na nossa cabeça: quanto mais atividade física, mais bem estar e prazer, isso é igual a mais qualidade de vida e plenitude emocional, porém nem sempre é assim. Já atendi casos em que o esporte também tornou-se obsessão, a pessoa deixou de sentir os prazeres da atividade física e passou a levar aquilo como um ‘ritual’ em que não era permitido errar, falhar ou abaixar seus resultados e metas. Atrapalhando, inclusive, na socialização”.

Para finalizar, Bueno Junior dá alguns conselhos para quem quer iniciar uma atividade física, também pensando em melhorar a saúde mental. “Escolha um esporte que realmente goste, não pratique algo que irá se tornar sua pior hora do dia. Muitas vezes, no começo é quase impossível o paciente achar prazeroso sair da inércia. Se escolher uma atividade por obrigação será um tiro no pé, pois irá arrastado, sempre de mau humor e procurando razões para se auto boicotar, gerando assim, frustração e culpa. Busque alternativas, a grande sacada é se movimentar”.

 

*Transtorno obsessivo-compulsivo.

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