A Grande final da Copa do Mundo 2019

RAFAEL ZEMPULSKI

Chegamos à preparação da principal partida de seleções do ano, coroando também uma das maiores partidas da história do futebol das mulheres. A Copa do Mundo da França de futebol teve direito a tudo que uma grande competição internacional de alto nível pode proporcionar ao espectador. Recordes de público elucidam esse fato, bem como a presença de goleadas, belos gols, polêmicas de arbitragem, reações extra-campo e uma final justíssima pelo que se viu de futebol apresentado.

Apesar de ambas as seleções apresentarem um bom e ofensivo futebol, cada uma chega com uma pegada diferente de abordagem, de representatividade e de comportamento. As leoas laranja mantém a ideia do “futebol total”, que se iniciou nos países baixos em meados dos anos 70, com um estilo de jogo bastante ofensivo, priorizando o trio de ataque. Não é a toa que, mesmo tendo uma recente melhor do mundo eleita na ponta esquerda, Lieke Martens, toda a responsabilidade por propor o jogo e entregar o resultado ofensivo não passa só por ela. O trivote de ouro das holandesas é formado por Martens, Miedema e Van de Sanden. Todas se completam e trazem um bom volume de jogo na frente. Levando em consideração o coletivo, a seleção holandesa vem em ascensão meteórica recente, visto que essa é sua primeira participação com destaque em copas do mundo. Mas há de se lembrar que elas são as atuais campeãs europeias, e desde o começo da competição na França o time vem em franca evolução. A organização entre defesa e meio-campo ainda precisa melhorar, mas o outro ponto positivo é bom desempenho ofensivo, visto que o time enfrentou o grupo mais difícil da competição, junto com Japão e Suécia no mata-mata.

Por outro lado, a tradicionalíssima e mais expressiva seleção feminina dos Estados Unidos carrega a melhor campanha geral e uma eficiência absoluta dentro de campo. As norte-americanas chegam com status semelhante ao que a seleção brasileira masculina chegou ao mundial de 2006. Com as melhores jogadoras, o futebol mais completo, bem como uma grande atenção aos holofotes extra-campo. É bem notável que Megan Rapinoe é a melhor jogadora do mundial, pois ela fez de um tudo. Bola parada, dribles desconcertantes, liderança técnica e liderança sob o grupo, que em companhia da consagrada Alex Morgan, traz muita credibilidade e favoritismo para conquistar o título de futebol do mundo. Entretanto, dia sim dia não a própria Rapinoe responde perguntas de repórteres sobre a sua oposição ideológica ao atual governo Trump, afirmando que, em caso de título, ela não comparecerá à Casa Branca em Washington DC. Hope Solo, ex-goleira e campeã mundial com os Estados Unidos também dá as caras para criticar a treinadora, e recentemente, em sua coluna no veiculo The Guardian, Solo critica a excessiva frieza das jogadoras que afirmam que a final da Copa do Mundo deve ser tratada como “apenas mais um jogo”.

Em resumo, as norte-americanas carregam sim o favoritismo histórico, técnico e são as atuais campeãs da competição. Então, em caso de uma jornada sem erros, certamente o título ficará com elas. Entretanto, a Holanda não corre por fora, pois a franca ascensão logo resultará em título, seja nesse mundial ou no próximo.

A certeza é de um ótimo jogo, um grande futebol e uma repercussão jamais vista antes. Que as atletas obtenham o sucesso que lhes é de direito, e premiado será o torcedor que assistir ao jogo da TV, mas mais ainda o que tiver a oportunidade de estar em Lyon, neste domingo às 12 horas (horário de Brasília).

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